Num comunicado divulgado no sábado à noite, o Ministério de Relações Exteriores venezuelano anunciou que o "Presidente Nicolás Maduro falou com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que se comprometeu a promover esforços a favor do diálogo direto entre as partes e recordou que tem disponibilizado os seus meios para a resolução do diferendo".

O documento, divulgado pelo ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Iván Gil, começa por explicar que Nicolás Maduro "manteve conversações telefónicas com o Presidente [do Brasil] Luiz Inácio da Silva e com o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves [luso-descendente]", também presidente "Pro Tempore" da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC).

"Nas conversações, foi recebida uma proposta para realizar uma reunião de alto nível com a República Cooperativa da Guiana (...) a fim de preservar a nossa aspiração de manter a América Latina e as Caraíbas como uma zona de paz, sem interferência de atores externos, em conformidade com os acordos alcançados por ambos os países no âmbito da CELAC", lê-se.

Entretanto, Ralph Gonsalves anunciou que os presidentes da Venezuela e da Guiana vão reunir-se na quinta-feira, em São Vicente e Granadinas, para conversarem sobre a disputa do território de Essequibo.

A região de Essequibo, que aparece nos mapas venezuelanos como "zona em reclamação", está sob mediação da ONU desde 1966, quando foi assinado o Acordo de Genebra.

Com cerca de 160.000 quilómetros quadrados, o Essequibo é rico em petróleo, representa mais de dois terços do território da Guiana e abriga cerca de um quinto de sua população, ou cerca de 125.000 pessoas.

A reivindicação da Venezuela tornou-se mais premente desde que a ExxonMobil descobriu petróleo no Essequibo, em 2015, tendo a tensão aumentado desde então.

Para a Venezuela, o rio Essequibo deveria ser a fronteira natural, como era em 1777, durante a época do império espanhol. A Guiana argumenta que a fronteira, que remonta à era colonial britânica, foi ratificada em 1899 por um tribunal arbitral em Paris.

Entretanto, a Guiana autorizou já oito empresas petrolíferas estrangeiras a explorar jazidas petrolíferas em águas reclamadas pela Venezuela.

Em 03 de dezembro último, a Venezuela realizou um referendo consultivo em que mais de 95% dos eleitores que participaram votaram a favor das intensões dos Governo de anexar o Essequibo aos mapas venezuelanos.

Entretanto, o Presidente venezuelano assinou na sexta-feira seis decretos para recuperar o Essequibo, território em disputa com a vizinha Guiana.

FPG (ANP/MYMM/ANC) // MCL

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