"Falar sobre as suas próprias lutas em questões de saúde mental e contar a sua história, seja que pessoa for, requer coragem", afirmou Jen Psaki, porta-voz da Administração norte-americana.

No entanto, sublinhou, ambos são agora "pessoas comuns" e a Casa Branca não vai fazer "mais comentários em nome do Presidente", Joe Biden.

As inconfidências de Meghan Markle e do príncipe Harry na entrevista a Oprah Winfrey, uma das apresentadoras mais famosas do mundo, caíram como uma bomba no Reino Unido, pintando um retrato sombrio da monarquia britânica, alvo de acusações que vão de insensibilidade até racismo.

Meghan Markle contou que o seu marido lhe revelou que alguns membros da família real estavam preocupados com a cor de pele que o seu bebé teria quando estava grávida de Archie, que completa dois anos em maio.

A duquesa de Sussex disse também que o Palácio de Buckingham se recusou a conceder proteção à criança e que os membros da instituição consideraram que Archie não devia receber um título de nobreza, embora seja essa a tradição.

Já o duque de Sussex, Harry, lamentou que a família real não tivesse tomado uma posição pública contra o que ele via como cobertura racista por parte de alguma imprensa britânica.

A duquesa de Sussex disse ter tido pensamentos suicidas enquanto vivia com a família real britânica e que não recebeu qualquer apoio psicológico apesar dos repetidos pedidos.

"Eu simplesmente não queria mais viver. E esses foram pensamentos constantes, aterradores, reais e muito claros", disse Meghan Markle, culpando a cobertura agressiva dos 'media' britânicos pelo seu estado psicológico.

A norte-americana salientou que se dirigiu aos membros da instituição real para pedir ajuda e discutiu a possibilidade de tratamento médico: "foi-me dito que não podia, que não seria bom para a instituição".

Inicialmente instalados no Canadá, depois no estado norte-americano da Califórnia, em Montecito, desde março, o casal tem capitalizado a imagem de casal moderno, misto e humanitário, num país onde a opinião lhes é muito mais favorável do que no Reino Unido.

Desde a mudança, o casal criou uma fundação, a Archewell, e comprometeu-se a produzir programas para a plataforma de 'streaming' Netflix, por 100 milhões de dólares (84 milhões de euros), de acordo com vários meios de comunicação social norte-americanos, bem como 'podcasts' para o Spotify.

Além disso, foi anunciada uma parceria com a plataforma Apple TV+, em colaboração com a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey.

Segundo o Wall Street Journal, a venda da entrevista à CBS rendeu entre sete e nove milhões de dólares (5,8 e 7,6 milhões de euros) ao canal "Oprah", que mantém no entanto os direitos internacionais, uma fonte de receitas significativa, porque uma boa parte do mundo aguarda por este evento televisivo.

A entrevista com Oprah Winfrey foi a primeira do casal desde que ambos renunciaram aos deveres reais e caiu como uma bomba no Reino Unido, abalando a monarquia com pesadas acusações de racismo, insensibilidade e relações familiares tensas, observa hoje a imprensa britânica.

Para o jornal The Times, "o que quer que a família real esperasse da entrevista, foi pior".

 

AXYG (JMC/BM) // EL

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