O chefe da bancada da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder e com maioria qualificada na Assembleia da República, Sérgio Pantie, disse que, "depois de um período de certa acalmia e de regresso das populações às suas aldeias, os terroristas engendraram algumas ações esporádicas, causando mortos, destruição de infraestruturas e terror no seio das populações".

"Todas estas ações protagonizadas pelos terroristas pretendem, mais uma vez, criar instabilidade naquela região, rica em recursos naturais e a terceira maior reserva mundial do gás, impedindo o desenvolvimento do nosso país", afirmou Pantie.

Independentemente da filiação partidária e ideologia, prosseguiu, os moçambicanos devem unir-se na busca da paz e segurança em Cabo Delgado.

O líder da bancada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), Viana Magalhães, questionou se o recrudescimento da violência armada em Cabo Delgado não visa criar condições para a inviabilização das eleições gerais de 09 de outubro e manter o atual Governo, defendendo a identificação de mecanismos de diálogo com os grupos armados.

"Estamos a assistir em Cabo Delgado a uma guerra que não tem explicação por parte do Governo e, com a aproximação do fim do mandato do atual Governo, há o recrudescimento das ações militares em Cabo Delgado, que mensagem querem transmitir?", interrogou Magalhães.

"Os nossos filhos estão a ser dizimados em Cabo Delgado, sem culpa nem piedade, em ações que mostram claramente que se trata de mortes planificadas para pôr pânico aos moçambicanos", enfatizou.

O líder da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido, Lutero Simango, também defendeu a aposta no diálogo com os grupos armados que atuam em Cabo Delgado, assinalando que a violência está a fragilizar o Estado.

"Volvidos sete anos de terrorismo em Cabo Delgado, não se compreende que o Governo não use com eficácia a sua inteligência [serviços de informação], para compreender as reais motivações destas ações, suas origens, patrocinadores e possibilidades de estabelecer linhas de diálogo para a normalização da vida em Cabo Delgado e do país, em geral", disse Simango.

Os ciclos de violência armada têm prejudicado o desenvolvimento humano, atrasando o desenvolvimento do país e tornando o Estado débil, acrescentou.

Nas últimas semanas têm sido relatados casos de ataques de grupos insurgentes em várias aldeias e estradas de Cabo Delgado, inclusive com abordagens a viaturas, rapto de motoristas e exigência de dinheiro para a população circular em algumas vias.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou há uma semana a autoria de um ataque terrorista em Macomia, em Cabo Delgado, e a morte de pelo menos 20 pessoas, um dos mais violentos em vários meses.

A província de Cabo Delgado enfrenta há seis anos alguns ataques reivindicados pelo EI, o que levou a uma resposta militar desde julho de 2021, com apoio do Ruanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos do gás.

PMA // JMC

Lusa/Fim