O economista, que falava à Lusa após a Conferência Internacional de Diamantes (AIDC, na sigla angolana), concluída na sexta-feira em Saurimo (Lunda Sul) alertou que os financiadores estão a reduzir a exposição ao setor dos diamantes devido aos riscos que apresenta.

Além dos problemas políticos associados à produção dos diamantes, em particular dos chamados 'diamantes de sangue', assinalou, este é um setor opaco que, no caso de Angola, tem também envolvidas pessoas politicamente expostas "e os bancos estão muito mais exigentes nesta matéria".

Entre os principais riscos, Carlos Rosado de Carvalho apontou os problemas de 'compliance' (conformidade regulatória) e 'corporate governance' (governo das sociedades).

"A indústria mineira é uma indústria sob suspeita. Não se sabe quem são os últimos beneficiários dos projetos e o cerco da comunidade financeira internacional aperta-se cada vez mais. Acho que vai ser difícil Angola financiar os projetos de diamantes que tem pela frente", referiu.

Outro dos problemas é a falta de garantias reais exigidas pela banca, que não aceita os títulos de outorga de concessão como garantia e as alternativas, como fundos de investimento, não são adequadas ao mercado angolano.

A solução passa, sugeriu, por atrair as grandes empresas com "porte financeiro", que não necessitam de financiar-se na banca comercial angolana.

"De outra forma, não vejo como Angola poderá tornar-se o lugar que ambiciona como terceiro produtor mundial, que significa um aumento de 40% da produção. Isto obviamente supõe investimentos para materializar esse potencial", apontou o economista e académico, acrescentando que está em causa um "esforço financeiro tremendo" para a banca angolana.

Com uma capacidade de produção de mais de oito milhões de quilates por ano, Angola é o quinto maior produtor mundial de diamantes, com 13% da extração deste mineral, sendo as províncias da Lunda Norte e Lunda Sul as principais áreas de exploração diamantífera.

Em África, o país ocupa a segunda posição, a seguir ao Botswana. Para este ano, Angola prevê atingir a produção de nove milhões de quilates de diamantes.

 

 

RCR // ROC

Lusa/fim

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