A informação foi recolhida nas escolas Clara de Resende, Fontes Pereira de Melo, Manoel de Oliveira e Cerco, que incluem a lista de quase 800 estabelecimentos de ensino identificados no site da Direção-Geral dos Estabelecimento Escolares (DGEstE) como "de referência para o serviço de refeições e acolhimento de filhos do pessoal hospitalar e de emergência".

A Lusa contactou ainda a EB 2,3 de Perafita, em Matosinhos, distrito do Porto, que informou que hoje não havia pedidos de almoço.

O Governo decretou o encerramento de todas as escolas a partir de hoje e nenhuma das cinco contactadas pela Lusa teve solicitações para almoço ou pedidos para acolhimento de crianças, embora as direções admitam que as famílias ainda se estão a adaptar e a situação pode mudar nos próximos dias.

"Estamos abertos, mas não tivemos qualquer pedido para almoço. Quanto ao acolhimento de filhos de pessoal hospitalar ou emergência, para já também não há solicitações. Mas é o primeiro dia, imagino que toda a gente se esteja a reajustar. Presumimos que a situação mude e comece a haver pedidos", disse à Lusa Manuel Oliveira, diretor da Escola do Cerco, na zona oriental do Porto.

Do outro lado da cidade, Ana Alonso, da direção do agrupamento de escolas Fontes Pereira de Melo, esclareceu ter recebido, da tutela, a indicação de que "todas as escolas com alunos de escalão A devem garantir-lhes as refeições".

Por isso, já na sexta-feira, os diretores de turma dos alunos desse escalão que tinham refeições marcadas para esta semana "entraram em contacto com os respetivos encarregados de educação" e "todos disseram que não iam enviar os filhos para almoçar".

A responsável adiantou ainda que está a ser "montado um esquema de teletrabalho" e que "todas as turmas vão ter trabalho à distância".

Na Escola Secundária Clara de Resende também não houve qualquer "solicitação" de almoço para alunos carenciados, revelou a diretora-adjunta, Ana Maria Alves, explicando que os contactos foram feitos pelos diretores de turma, pela associação de pais e pelos representantes dos pais nas várias turmas.

Também nesta escola estão a ser preparadas "atividades à distância" para os alunos.

O diretor do agrupamento de escolas Manoel de Oliveira, Arnaldo Lucas, explicou à Lusa que hoje não houve registo de "nenhum pedido" para almoço.

A Lusa tentou ainda contactar as escolas do Viso, Leonardo coimbra Filho, Rodrigues de Freitas e agrupamento do Infante, também no Porto, mas sem sucesso.

Segundo dados do ministério da Educação, quase 800 escolas estão a partir de hoje de portas abertas para garantir as refeições dos alunos mais carenciados e acolher os filhos de pessoal hospitalar e de emergência.

Dos cerca de 3.500 estabelecimentos escolares existentes no continente, quase 800 estão classificados como "escolas de referência para o serviço de refeições e acolhimento de filhos do pessoal hospitalar e de emergência", segundo dados da DGEstE.

Isto significa que estas 800 escolas serão a exceção à decisão de encerrar todos os estabelecimentos de ensino desde creches a universidades e politécnicos, uma das medidas avançadas no final da semana passada pelo Governo para tentar controlar a disseminação do novo coronavírus.

Num país em Estado de Alerta, o ensino faz-se à distância e cerca de dois milhões de alunos ficam em casa. Só os filhos de profissionais de saúde e das forças de segurança é que poderão ter que continuar a ir à escola, para que os pais possam ir trabalhar.

Numa contabilização feita pela Lusa, a região Norte é a que terá mais estabelecimentos de ensino abertos, quase 300 escolas.

A lista disponível no 'site' da DGEstE mostra que no Algarve há 232 "escolas de referência" e na zona de Lisboa e Vale do Tejo são 194. No centro, abrem hoje portas 91 estabelecimentos e no Alentejo são 62.

Depois há formas de organização variadas. No agrupamento de Escolas de Alcácer do Sal, por exemplo, os alunos do 1.º ao 9.º ano que precisem vão ficar na Escola Básica Pedro Nunes, enquanto os mais novos ficam no Jardim de Infância Alcácer do Sal.

A DGesTe informa ainda que os dados agora disponíveis podem ser atualizados sempre que necessário, até porque não é possível ainda ter a certeza quantas serão as famílias que vão recorrer a este serviço.

A decisão de juntar as crianças numa escola para que os profissionais de saúde -- que estão mais em contacto com doentes da Covid-19 - e de segurança pudessem continuar a trabalhar foi criticado pela Ordem dos Médicos e sindicatos, que alertaram para o perigo em que estariam as crianças e famílias.

Algumas autarquias têm explicado como é que vão garantir que as refeições chegam aos alunos com apoio social escolar. No caso de Lisboa, por exemplo, a autarquia anunciou que os pais com crianças no jardim de infância e 1.º ciclo teriam que ir buscar as refeições à escola. Já na Golegã, a autarquia comprometeu-se a fazer a entrega porta-a-porta a todos os alunos do escalão A.

O novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 6.400 mortos em todo o mundo.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos de infeção confirmados para 331, mais 86 do que os contabilizados no domingo.

A decisão de suspender todas as atividades letivas presenciais a partir de hoje será reavaliada a 09 de abril.

 

ACG (SIM) // LIL

Lusa/Fim

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