A organização não-governamental que realiza estudos para mapear anualmente a cobertura e uso da terra do Brasil e monitorizar as mudanças do território adiantou que mais de dois terços da área afetada pelo fogo (68,4%) no país sul-americano corresponde a vegetação nativa e aproximadamente um terço (31,6%) a área modificada pela ação humana, como pastagem e agricultura.

Os dados do Mapbiomas indicaram que quase metade (46%) da área queimada está concentrada nos estados brasileiros de Mato Grosso, Pará e Maranhão e cerca de 60% de toda área queimada aconteceu em imóveis privados.

A cada ano, uma média de 18,3 milhões de hectares, ou 2,2% do território brasileiro, são afetados pelo fogo, segundo a organização. 

A estação seca, entre julho e outubro, concentra 79% das ocorrências de área queimada no Brasil, sendo que setembro responde por um terço do total (33%).

"Os dados do MapBiomas Fogo mostram também que cerca de 65% da área afetada pelo fogo no país foi queimada mais de uma vez em 39 anos, sendo o Cerrado o bioma com a maior quantidade de área queimada recorrente", destacou o levantamento.

Juntos, os biomas brasileiros do Cerrado (parecido com a savana) e a Amazónia concentraram cerca de 86% da área queimada pelo menos uma vez no Brasil em 39 anos.

No Cerrado, foram 88,5 milhões de hectares, ou 44% do total nacional. Na Amazónia, queimaram 82,7 milhões de hectares (42%).

O Mapbiomas frisou que embora Cerrado e Amazónia tenham números absolutos semelhantes de área queimada, esses biomas têm tamanhos diferentes. Por isso, no caso do Cerrado, a área queimada equivale a 44% do território enquanto na Amazónia esse percentual foi de 19,6%, ou seja, um quinto da extensão do bioma. 

"A Amazónia enfrenta um risco elevado com a ocorrência de incêndios devido à sua vegetação não ser adaptada ao fogo, agravando o nível de degradação ambiental e ameaçando a biodiversidade local, enquanto a seca histórica e as chuvas insuficientes para reabastecer o lençol freático intensificam a vulnerabilidade da região", explicou a coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar.

"O Cerrado tem sofrido com altas taxas de desflorestamento, o que resulta no aumento de queimadas e no risco de se tornarem incêndios descontrolados, alterando o regime natural do fogo. Essas mudanças impactam negativamente o equilíbrio ecológico, pois o fogo, embora seja um componente natural do Cerrado, está ocorrendo com uma frequência e intensidade que a vegetação não pode suportar", avaliou a coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda.

Embora a situação no Cerrado e na Amazónia sejam preocupantes, o bioma brasileiro que mais queimou proporcionalmente a sua área nos 39 anos avaliados foi o Pantanal, com nove milhões de hectares. Embora sejam apenas 4,5% do total nacional, são 59,2% do bioma. 

No ano passado, foram mais de 600 mil hectares queimados no Pantanal, 97% dos quais ocorreram entre setembro e dezembro, de acordo com o Mapbiomas.

O mês de novembro concentrou 60% do total da área queimada. O Pantanal, também adaptado ao fogo, enfrentou incêndios intensos principalmente devido às secas prolongadas.

 

CYR // JMC

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