"Nenhum Governo que vá sair deste parlamento vai resolver os problemas, vai, de facto, pôr em prática e cumprir o papel que Portugal tem a desempenhar no meio destas lutas, destas guerras e tentativas de poder inter-imperialistas", disse a cabeça de lista pelo círculo de Lisboa do PCTP/MRPP, em entrevista à agência Lusa.

Cidália Guerreiro afirma que o partido, de inspiração maoista, "não é eleitoralista" e assume que o PCTP/MRPP "não está à espera de que as grandes alterações que o país precisa venham a ser feitas a partir de eleições e muito menos neste quadro de eleições antecipadas provocadas pela própria implosão do parlamento".

A cabeça de lista por Lisboa, um dos nove círculos em que o partido se apresenta a votos, culpa "o parlamento no seu conjunto" pela crise política que fez cair o Governo e afirma: "A configuração deste parlamento já não servia, há necessidade de fazer uma reconfiguração do parlamento, há necessidade de criar novas alianças, pelos vistos".

Cidália Guerreiro entende que no dia 30 de janeiro os portugueses vão colocar nas urnas "um voto em branco", pois "ninguém sabe no que vai votar, pode saber em quem vai votar, mas não sabe no que vai votar, porque nenhum destes partidos pode garantir que vai aplicar o programa que apresenta".

"O que vai acontecer a seguir é uma série de alianças e de jogos de poder para se proceder às alterações necessárias, nomeadamente a alteração da constituição", afirma.

A candidata mostra-se preocupada com a abstenção, que nas legislativas de 2019 se cifrou nos 51,43%, mas garante saber qual é causa: "Mais de metade da população não vota, porque não acredita que seja qual for o governo que saia das eleições lhe vai resolver os problemas do dia a dia".

O PCTP/MRPP, fundado em 1976, entende que a gestão governamental da pandemia de covid-19 "foi péssima" e acusa o executivo de nunca ter tido planeamento, ideias claras e rigor na forma como a encarou.

"O que gostávamos de saber era quais são os lucros das farmacêuticas, porque isso diz muito. Todos deveriam estar interessados em resolver o problema e não em fazer da saúde um negócio", diz, alertando para o enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que foi "obrigado a deixar de fora muitos problemas".

Sistemas de saúde e a educação gratuitos são duas das exigências constantes no programa do PCTP/MRPP, que final "o fim da exploração sobre o trabalho humano e a criação de uma sociedade de iguais".

O partido quer também um aumento geral de salários e acordos coletivos de trabalho, com Cidália Guerreiro a afirmar: "Não podemos aceitar que os salários visem apenas uma sobrevivência da população e uma sobrevivência limitativa. (...) Não aceitamos que continue a existir o código de trabalho fascista, que continua a impedir que os trabalhadores tenham pelo menos algumas condições de defesa".

O PCTP/MRPP defende também o não pagamento da dívida para a qual olha como algo "impagável" e uma "forma de limitar o país".

"Defendemos a nossa autonomia financeira, a nossa independência, o não pagamento da dívida", refere a cabeça de lista do PCTP/MRPP, que nas legislativas de 2019 obteve 36.118 (0,69%) dos votos, depois de ter conseguido 59.955 (1,11%) em 2015.

Cidália Guerreiro assume que o PCTP/MRPP teve "dúvidas" em apresentar-se a "esta farsa eleitoral", mas acabou por decidir fazê-lo para tentar divulgar o seu programa.

Alertando para a desigualdade de meios concedida aos partidos, a candidata assegura que o partido vai fazer "uma campanha autónoma" e apresentar o programa como os meios que tem.

AO // SF

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