Estas posições foram transmitidas por Pedro Nuno Santos no longo discurso com que apresentou o programa eleitoral do PS, no Teatro Thalia, em Lisboa, em que voltou a recusar um corte transversal "e cego" do IRC, acusando neste ponto as forças de direita de poderem provocar com essas propostas "um rombo nas contas públicas".

Na parte económica do seu discurso, feito de improviso, o secretário-geral do PS traçou várias linhas de demarcação face à prática dos últimos anos.

"Quero um Ministério da Economia com força, porque precisa de ter instrumentos. Connosco a AICEP [Agência para a Internacionalização da Economia Portuguesa] está no Ministério da Economia, o que não significa deixar de trabalhar com as nossas representações diplomáticas e com o Ministério dos Negócios Estrangeiros", apontou o líder socialista.

A estratégia passa por "dar força, coerência e integração às políticas do Ministério da Economia", completou, antes de deixar uma nota de autocrítica em relação à experiência dos últimos anos com a criação do Banco de Fomento.

"Vamos ser francos com o nosso povo. Perdoem-me, mas vamos assumir de frente: o Banco de Fomento não funcionou. E não vale a pena continuarmos a esconder -- e basta falar com os nossos empresários, já que são poucos os que tiveram uma experiência de sucesso. Não vale a pena colocar a cabeça debaixo da areia e vamos enfrentar o problema de frente", sustentou.

A mesma ideia de mudança, de resto, o secretário-geral do PS aplicou-a aos "seguros de crédito, para dar segurança a quem exporta e para que o empresário "aceite encomendas para produzir e vender".

"Fazer implica ouvir os nossos empresários. Isso é meio caminho para governarmos bem", disse.

Na sua intervenção, o líder socialista voltou a defender que Portugal tem de transformar a sua economia, definindo os setores em que se deve especializar e ter maior valor acrescentado, o que obriga a "uma atitude de coragem de dizer que não" perante pedidos gerais de apoios financeiros ao Estado.

"Isto não é sovietização ou planificação da economia. É fazermos o mesmo que a República Checa ou que a Holanda", contrapôs, numa resposta às críticas de partidos à direita do PS em relação à sua medida de tornar mais seletivos os apoios a conceder pelo Estado.

Pedro Nuno Santos congratulou-se com os dados de que as exportações portuguesas representaram mais de 50% do Produto Interno Bruto, mas adiantou que o seu objetivo é também o de fazer com que a incorporação de produção nacional aumente nessas mesmas exportações.

Ou seja, como salientou o secretário-geral do PS, não é o mesmo exportar um produto com 1% de incorporação nacional ou quase totalmente com produção nacional.

Neste contexto, falou também da necessidade de uma mudança no paradigma da internacionalização da economia portuguesa, advertindo que não é só Portugal exportar, mas também ter maior presença nos mercados externos.

PMF // VAM

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