Estas posições de afastamento dos socialistas face a dois dos mais relevantes projetos anunciados pelo PSD foram transmitidas por Augusto Santos Silva no encerramento do discurso do debate sobre o Estado da Nação, na Assembleia da República.

"O maior partido da Oposição mostra-se coerente em dois pontos críticos do equilíbrio constitucional: Um é o desejo de reduzir perdas eleitorais através da mudança ad hoc do sistema eleitoral e à custa da representação dos pequenos partidos e das regiões de baixa densidade; o outro é a permanente fixação em pôr em causa a independência do nosso poder judicial", declarou o membro do Governo.

Para Augusto Santos Silva, a atual conjuntura não permite equívocos nas prioridades.

"O tempo não é de questionar a Constituição, mas de cumprir a Constituição. O tempo não é de trazer para o debate político as questiúnculas, mas sim os problemas. Não é de assimilar a agenda populista ou normalizar o discurso de ódio, é sim de construir soluções políticas capazes de apoiar e acelerar a recuperação nacional", contrapôs.

Na sua intervenção, Augusto Santos Silva procurou traçar uma linha de demarcação entre o PS e a oposição à sua direita, partindo das respostas que foram dadas na crise financeira de há dez anos e agora perante a pandemia da covid-19.

"Bem sei que isto causa estranheza aos devotos das soluções de austeridade, que só imaginam como solução para crises a destruição de valor, os cortes de rendimentos e a degradação dos serviços. Mas o nível de emprego, o aumento do investimento e das exportações, a melhoria dos indicadores de qualificação e as baixas taxas de juro da dívida pública estão aí para mostrar que a nossa política é que é correta, pois abre o caminho para o crescimento económico com inovação, riqueza e trabalho digno" começou por dizer.

Depois, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros falou sobre "duas lições da pandemia.

"Face a crises, o Estado social é a nossa melhor proteção e as políticas anti austeritárias são a nossa melhor resposta", sustentou.

Ainda de acordo com Augusto Santos Silva, "há uma terceira lição tão ou mais importante do que as anteriores".

"A recuperação da crise é tanto mais rápida e forte quanto mais integrar a transformação da estrutura económica e social, de modo a torná-la mais resiliente. Esta é precisamente a linha de conduta do Governo: agir reformando, agir intervindo nos pontos críticos, agir para mudar", defendeu.

A seguir, o membro do executivo atacou globalmente a atuação da oposição à direita do PS neste debate sobre o estado da nação.

"A oposição mostrou hoje não ter mais nada a contrapor do que uma ladainha repetitiva ao velho estilo dos casos do dia. A oposição revelou ser preguiçosa, porque não estuda os problemas de fundo e não apresenta propostas alternativas", atacou.

Depois, respondeu às exigências de várias forças políticas no sentido de que o primeiro-ministro, António Costa, proceda a uma remodelação do seu Governo.

Com essa atitude, segundo Augusto Santos Silva, a oposição "mostrou ser monotemática, porque obsessivamente concentrada em algo que não é competência sua, mas exclusiva do primeiro-ministro, a composição do Governo".

"E mostrou ser inconsequente, porque, dos horários dos restaurantes à luta contra a desinformação, num dia diz uma coisa e no dia seguinte o seu contrário", acrescentou.

 

PMF // SF

Lusa/Fim

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