Ricardo Rocha, presidente do sindicato, explicou à Lusa que em causa não está a falta de ambulâncias mas sim de técnicos, que desde o início do mês se estão a recusar a fazer turnos extra. "Há 17 ambulâncias em Lisboa, no fim de semana podem estar 10 sem trabalhar", exemplificou, acrescentando que isso se vai refletir no tempo de espera nas chamadas de emergência.

Na tarde de hoje decorreu, disse, uma reunião de técnicos de ambulância de emergência, que se queixam da falta de pagamento de subsídios e de horas extra e de mais cortes no salário.

A situação atinge o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) em todo o país mas especialmente em Lisboa, explicou Ricardo Rocha, acrescentando que há um ano que anda a alertar o Governo para a situação.

"O sindicato disse em julho do ano passado que havia uma falta grave de técnicos mas só em janeiro iniciaram a contratação de mais 85 técnicos, quando são precisos quase 250. O processo de recrutamento está no início e demora cerca de um ano", disse o responsável à Lusa, acrescentando que provavelmente só no início de 2016 os 85 técnicos estarão operacionais.

Sem técnicos, com um "elevado desgaste" dos que estão a trabalhar e com a aproximação do período de férias o sindicalista alerta para os perigos que tal representa para a população, e diz que os trabalhadores estão cansados de fazer turnos extra, de trabalhar "22 dois seguidos", pelo que depois de mais um corte salarial anunciado em maio vão deixar de fazer esses turnos e deixar de socorrer.

"Em Lisboa, 40 por cento dos turnos são assegurados por turnos extra. Vai começar a ser uma loucura", advertiu Ricardo Rocha, considerando que essa "loucura" é uma consequência dos cortes do Governo na área da Saúde.

No país são ao todo 900 técnicos, 200 deles em Lisboa, segundo os números de Ricardo Rocha, que disse que o sindicato apoia a decisão dos trabalhadores de se recusarem a fazer turnos extras.

A Lusa tentou obter um comentário do INEM mas tal não foi possível.

FP//GC.

Lusa/fim

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