O porta-voz da polícia na província de Nampula, Zacarias Nacute, avançou que os jovens seguiam num camião para o distrito de Mocímboa da Praia, onde iam trabalhar na pesca e garimpo, segundo referiram quando foram interpelados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) e "retidos no comando provincial da polícia".

"Depois de um trabalho operativo e de investigação, acreditamos que foram aliciados a integrar grupos terroristas em Cabo Delgado", afirmou Nacute.

Alguns dos membros do grupo "tinham noção de que se iam juntar-se aos terroristas", acrescentou, mas sem adiantar pormenores.

O porta-voz da polícia salientou que os jovens eram oriundos dos distritos de Memba, Mossuril e Nacala, na província de Nampula.

Zacarias Nacute declarou que entre os "terroristas" que têm sido abatidos pelas forças governamentais encontram-se muitos jovens daquela região.

Outros têm-se rendido às autoridades quando conseguem fugir dos grupos armados, depois de serem "seduzidos com promessas de emprego e forçados a cometer atrocidades", prosseguiu.

Zacarias Nacute adiantou que os 21 jovens serão "devolvidos" às suas zonas de origem, porque "não há evidências criminais, mas apenas suspeitas de aliciamento".

Nacute acredita que o trabalho das forças de defesa e segurança tem resultado na diminuição do recrutamento de jovens da província de Nampula pelos insurgentes.

"Quando as ações terroristas começaram em Cabo Delgado, apanhávamos cerca de 20 jovens por semana aliciados pelos terroristas, a viajar para Cabo Delgado. Agora, esses casos ocorrem a cada dois a três meses", declarou.

A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde julho de 2021 com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.

O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

PMA // JH

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