"Essa é uma nova desinformação que gera instabilidade entre os poderes da República num momento que exige união nacional", disse Neto, numa nota divulgada hoje.

A comunicação do Ministério da Defesa foi divulgada após o jornal brasileiro O Estado de S.Paulo noticiar que o ministro enviou alegadamente um recado ao Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, no qual condicionou a realização das presidenciais de 2022 à adoção do voto impresso ou por cédula.

Segundo o jornal brasileiro, o general recorreu a um interlocutor para transmitir o recado para Lira, aproveitando um momento em que se debate no Congresso a possibilidade de instaurar o voto impresso no país.

Braga Netto sublinhou na nota emitida pelo Ministério Defesa que não se comunica "com os Presidentes dos Poderes, por meio de interlocutores".

"A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições nacionais, regulares e permanentes, comprometidas com a sociedade, com a estabilidade institucional do país e com a manutenção da democracia e da liberdade do povo brasileiro", acrescentou.

O ministro da Defesa, porém, adotou um tom político em defesa de projetos do Governo, ao frisar que a "discussão sobre o voto eletrónico auditável através de comprovante impresso é legítima, defendida pelo Governo Federal, e está a ser analisada pelo Parlamento brasileiro, a quem compete decidir sobre o tema".

Nos últimos meses, Bolsonaro, que deverá recandidatar-se no próximo ano, reiterou a sua oposição ao sistema de votação eletrónica que o país utiliza há duas décadas e alimentou teorias sobre alegadas fraudes eleitorais -- não comprovadas - que teriam ocorrido e que podem repetir-se caso o voto impresso não se concretize.

O Presidente, que hoje descreveu as informações divulgadas pelo jornal como uma "invenção", afirmou recentemente que se "não houver eleições limpas" no país, elas não serão realizadas em 2022, pelo que todas as sondagens já apontam como grande favorito o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o maior opositor de Bolsonaro na política.

CYR // VM

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