Numa declaração à agência Lusa, o porta-voz da Armada salientou que o navio "vem colmatar não só uma lacuna militar antiga, fortemente sentida na crise da evacuação de portugueses de áreas de instabilidade político militar no fim da década de 90, como também garantir uma capacidade autónoma de intervenção, rápida e disponível no país, na proteção civil para os arquipélagos da Madeira e Açores em caso de catástrofes ou calamidades".

O militar referiu que este navio é "disponibilizado pela França, em segunda mão, com 15 anos de operação, a um preço reduzido face à aquisição de um novo, o que constitui uma oportunidade única no contexto internacional", e que esta opção proposta ao ministro da Defesa reúne consenso dos quatro chefes militares.

"Desde 2006 que a aquisição de um navio deste tipo estava prevista como uma necessidade premente de modo a colmatar uma lacuna detetada no Sistema de Forças. Infelizmente os custos de um navio novo impossibilitaram, até agora, a sua aquisição, num momento de fortes restrições financeiras", observou.

O porta-voz da Armada adiantou ainda que, "face à enorme oportunidade da aquisição do Siroco", foi "considerado que a modernização das duas últimas fragatas, da classe Vasco da Gama, prevista decorrer entre 2018 a 2022, poderia vir a ser realizada noutros moldes, poupando dessa forma verbas que pudessem ser usadas".

"Estas duas últimas fragatas sofreriam uma modernização em moldes diferentes que permitissem a sua utilização em cenários de baixa e média intensidade sem comprometer os compromissos nacionais na NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mantendo-as totalmente operacionais", declarou.

Paulo Vicente revelou ainda que também foi unânime no seio do Conselho de Chefes que "a configuração proposta para a Esquadra com a aquisição do Siroco é mais equilibrada, mais polivalente e flexível, respondendo a um leque muito mais alargado de missões e contribuindo para uma valorização da Marinha no seio das alianças militares" de Portugal.

O Ministério da Defesa admitiu hoje estar a ponderar a suspensão das negociações com o Estado francês para comprar o Siroco, um navio posto à venda no ano passado por cerca de 80 milhões de euros e que também despertou o interesse de países como o Brasil ou o Chile.

O ministro José Pedro Aguiar-Branco considera que a abstenção do PS na votação na especialidade da Lei da Programação Militar põe em causa o consenso necessário para avançar com a aquisição deste navio polivalente logístico.

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