Até ao fim do primeiro semestre, só o CACVD registou 173 casos, sendo as vítimas 31 homens e 142 mulheres, mas há muito mais casos, disse à Lusa a diretora da instituição, Sónia Afonso, em entrevista a propósito do dia da mulher de São Tomé e Príncipe, que hoje se assinala.

A diretora do Centro de Aconselhamento Contra a Violência Doméstica referiu que os números oscilam, mas admite uma média de 15 casos por mês em cada distrito.

"É muito e nem todos vão para o Ministério Público", sublinhou a responsável.

Segundo Sónia Afonso, muitas vítimas procuram aconselhamento, mas dispensam o procedimento criminal, acabando muitas vezes por voltar a ser vítimas do mesmo agressor.

"Faz falta um psicólogo naqueles gabinetes [distritais] porque só eles conseguem também ajudar a perceber se vale a pena ou não só o conselho ou se [é necessário] pôr um 'stop' e remeter ao Ministério Público", referiu Sónia Afonso.

A diretora do CACVD referiu que o próprio centro não tem atualmente nem psicólogos nem sociólogos para o aconselhamento e acompanhamento nas vítimas.

Embora com falta de recursos humanos e materiais, a instituição tem realizado ações de sensibilização no terreno, que começaram na semana passada no distrito de Lembá, no norte de São Tomé, aquele que regista maior número de casos.

"É um distrito que normalmente tem um índice elevado de violência baseada no género, tanto ao nível psicológico como físico, então, estamos a procurar estratégias, a tentar ver o que fazer com esta situação", disse Sónia Afonso.

A responsável considera que o elevado índice de violência em Lembá, não se deve à falta de conhecimento, mas, sobretudo à influência do consumo de álcool e ao desemprego, como presenciou durante a sensibilização numa das comunidades do distrito.

"Aquela comunidade é muito fechada, não tem emprego, as mulheres não trabalham, dependem do homem que fazem pequenos negócios, então ficam muito dependentes do marido [...] quando começam a beber é só conflito, quase que diariamente", contou.

Recentemente as autoridades alteraram a lei penal e a Violência Doméstica passou a ser um crime público o que fez aumentar as denúncias anónimas. No entanto, a diretora do CACVD admitiu que ainda há alguma demora nas respostas por parte das autoridades principalmente na tramitação processual no Ministério Público.

 

JYAF // ANP

Lusa/Fim

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