"Relativamente à Guiné Equatorial, independentemente da cimeira, o país está a trabalhar para cumprir as suas tarefas. Ainda mais o tempo de prolongamento jogou em benefício de nós, e com muita calma vamos sair a fazer o trabalho acabado", afirmou Tito Mba Ada, em declarações à Lusa, questionado se o adiamento da cimeira de Chefes de Estado e de Governo poderia ajudar aquele estado-membro a concluir o processo de abolição da pena de morte.

Sobre o adiamento para julho de 2021, ainda sem data concreta, o diplomata considerou uma decisão "natural, por causa da pandemia, e por consenso, que se faça um adiamento".

"Nós estamos em condições de preparar a cimeira. Angola é um país que gosta de fazer bem as coisas e vamos acompanhar o processo para preparar melhor a cimeira", acrescentou.

Por seu lado, o embaixador de Cabo Verde em Lisboa, país que tem a presidência rotativa da CPLP, que será prolongada até julho do próximo ano por causa do adiamento da cimeira, disse que o pedido de Angola visa assegurar as condições políticas adequadas.

O pedido de Luanda "não teve só a ver com a pandemia. Tem a ver com as condições políticas e com a sua agenda política interna e externa. A agenda dos seus compromissos, a logística, tudo isto", afirmou em declarações à Lusa o diplomata de Cabo Verde.

"Chegaram à conclusão de que não existem condições para se fazer a cimeira em julho" deste ano, explicou.

A abolição da pena de morte foi uma das condições estabelecidas pela CPLP aquando da adesão de Malabo em 2014, mas, até ao momento, continua prevista na legislação equato-guineense.

O Presidente Teodoro Obiang, 77 anos, que governa o país há mais de 40 anos, anunciou, em abril de 2019, durante uma visita oficial a Cabo Verde, a intenção de submeter, brevemente, ao parlamento do país uma proposta de lei para abolir a pena de morte, o que até agora não aconteceu.

Além da Guiné Equatorial, de Angola e Cabo Verde, são também estados-membros da CPLP Brasil, Guiné-Bissau, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

ATR // PJA

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