"Com base nos dados recolhidos não foram encontradas evidências de que a atividade da Recivalongo possa ter um papel de promoção de comunidades de insetos que sejam prejudiciais para a saúde publica, ou mesmo potenciadoras de incomodidades para as populações", lê-se na conclusão do estudo realizado pela Biota, empresa de estudos e divulgação em ambiente.

Em conferência de imprensa naquele aterro, dois responsáveis da Biota apresentaram o estudo realizado entre "junho e novembro de 1999 e março e junho de 2020", denominado "Levantamento da comunidade de insetos na envolvente à Recivalongo", no concelho de Valongo.

Segundo Catarina Azinheira, umas das responsáveis, o "estudo concluiu que a comunidade de insetos desta zona é característica de zonas rurais".

"Para além da presença da vespa asiática, que é um problema de saúde pública e foi comunicada de imediato pela Recivalongo à GNR, não foram identificados mais insetos que representem problemas de saúde pública", acrescentou.

O estudo incidiu na área do aterro e numa outra, a cerca de 1,5 quilómetros de distância, para efeitos de comparação, explicaram os responsáveis da Biota, que fez o levantamento no terreno a pedido da Recivalongo.

Catarina Azinheira disse que a redução da atividade no aterro provocada pelo facto de o país ter estado confinado naquele período de tempo "não pesou no estudo".

Em 24 de junho, a associação ambientalista Jornada Principal (AJP) denunciou, em comunicado, que cerca de 40 pessoas, algumas delas "internadas no hospital", foram picadas por insetos em Sobrado, atribuindo-as à atividade do aterro, e mostrou 30 fotografias onde se viam insetos e os resultados das picadas.

Questionado sobre as fotografias publicadas pela AJP na denúncia feita, Pedro Henriques, que também esteve no terreno, admitiu que as "picadas podem ter sido feitas por vespas parasitoides ou de outro tipo", e garantiu que, aquando do estudo, "não foi detetado nenhum mosquito preocupante para a saúde pública" nas duas zonas analisadas.

"Nas fotos vi duas vespas que podiam ter feito essas picadas, mas depende da quantidade de veneno injetado, do estado de saúde da pessoa, da sensibilidade ao veneno. Trata-se de vespas que existem em todo o lado", assinalou.

As picadas denunciadas pela associação ambientalista ocorreram na povoação imediatamente abaixo do aterro, no lugar de Vilar.

A área de comparação escolhida pela Biota no período em que decorreu o estudo ficou a cerca de 1,5 quilómetros do aterro, tendo Pedro Henriques explicado que o objetivo foi "escolher uma área perto das zonas urbanas, com uma vegetação como a que existe na envolvente ao aterro, mas que estivesse junto das zonas críticas".

"A área de controlo situa-se por detrás do cemitério, perto de umas vivendas", em Sobrado, acrescentou.

Sobre as queixas de população da existência de pragas de baratas, Pedro Henriques disse "terem sido encontrados três animais na zona de controlo e dois na Recivalongo".

"Acredito que se fizéssemos um estudo dirigido para a ordem das baratas, com certeza que com armadilhas específicas para esse tipo de animal iríamos ter resultados com mais abundância", disse.

A Recivalongo tenciona "prolongar este estudo por novos anos", acrescentou Catarina Azinheira.

A Lusa tentou obter uma reação da AJP, mas até ao momento não foi possível.

O aterro é gerido desde 2007 pela Recivalongo, sendo que a empresa começou a ser acusada, em 2019, de "crime ambiental" pela população, pela Jornada Principal e pela Câmara Municipal, após ter sido detetado que detinha "mais de 420 licenças para tratar todo o tipo de resíduos".

O assunto avançou, entretanto, para os tribunais, com ações avançadas por ambas as partes.

A Recivalongo sempre negou que a agressividade dos insetos resultasse da operação no aterro.

JFO // JAP

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