"Continuamos sem informações claras sobre o que aconteceu com Ntamuhanga Cassien e, quanto mais o tempo passa, começamos a perder a esperança, temendo que o pior tenha acontecido", declarou o presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique, Cleophas Habiyareme.

O jornalista ruandês, de 37 anos, foi levado "por oito indivíduos desconhecidos que se apresentaram como agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM)", num grupo que incluía outro cidadão do Ruanda "que se expressava na mesma língua local do visado", segundo a Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique.

As autoridades moçambicanas têm-se demarcado de uma eventual detenção do jornalista e o Governo, através do Ministério dos Negócios Estrangeiro e Cooperação, disse, em 10 de junho, que o caso estava sob investigação.

O presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique foi chamado pelo Serviço de Investigação Criminal há quase duas semanas, mas do encontro não saiu qualquer novidade.

"Eles, no fundo, disseram-nos o que já sabíamos. Não houve qualquer novidade, continuamos sem saber onde ele está", lamentou o presidente daquela associação, que também levou o caso à Procuradoria-Geral da República de Moçambique.

Ntamuhanga Cassien foi jornalista e diretor da rádio cristã Amazing Grace, em Kigali (capital ruandesa) e, atualmente, vivia e trabalhava como comerciante na Ilha de Inhaca, em Maputo.

Fugiu da prisão no Ruanda em 2017, depois de ter sido condenado em 2015 a uma pena de 25 anos de prisão por conspiração contra o Estado, cumplicidade com terrorismo e homicídio - sentença na altura contestada por organizações de defesa de direitos humanos.

Dizia-se vítima de perseguição política como outros críticos do regime do Presidente Paulo Kagamé.

O desaparecimento de Cassien ressuscitou fantasmas de um passado de perseguição para a comunidade ruandesa em Moçambique, país que conta com quase 4 mil ruandeses, parte considerável dos quais na condição de refugiados.

Líder do Ruanda desde 1994, a Kagamé é atribuído o desenvolvimento do país após o genocídio de tutsis daquele ano, mas o chefe de Estado é também acusado de limitar a liberdade de expressão e de reprimir a oposição.

A restrição de liberdades tem também sido denunciada e condenada por outras organizações como a Repórteres sem Fronteiras e a União Europeia (UE).

O genocídio no Ruanda foi responsável pela morte de mais de 800.000 pessoas, principalmente da minoria tutsi, entre abril e julho de 1994.

EYAC // VM

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