O sinus pilonidal, também conhecido, (embora erradamente), como quisto dermoide, é uma condição clínica frequente. Embora predominante nos jovens do sexo masculino pode existir em ambos os sexos e estar presente em todas as idades.

Apesar de não ser considerada uma doença grave, afeta muitas vezes a atividade normal do dia a dia podendo complicar-se por infeções de carácter agudo ou crónico. A cirurgia tradicional, ainda hoje praticada, assusta quem necessita de ser tratado devido à penosidade associada ao pós-operatório geralmente longo e doloroso. Felizmente há boas notícias sobre as quais, mais à frente, iremos falar.

As primeiras referências ao sinus pilonidal remontam ao ano de 1833, quando Herbert Mayo, um cirurgião britânico, o descreveu como um aglomerado de pelos dentro da pele da região do cóccix. A existência deste “ninho de pelos” originou assim a palavra “pilonidal”. Embora esta doença tivesse sido considerada congénita, as investigações efetuadas ao longo dos anos concluíram que o seu aparecimento se deve à penetração de pelos desde a superfície da pele para zonas mais profundas, vizinhas da superfície óssea do cóccix.

O sinus pilonidal é então caracterizado por uma inflamação crónica da camada mais profunda da pele cuja causa é a já referida aglomeração de pelos que nela penetra. Este fenómeno é originado pela pressão exercida pelo peso do corpo contra superfícies onde a região coccígea assenta.

A título de curiosidade, durante a segunda guerra mundial, a frequência de casos diagnosticados nos soldados sujeitos a longas viagens, motivou a que esta situação fosse chamada de doença do jipe. Fácil será deduzir que a presença de maior quantidade de pelo, a obesidade e também a permanência na posição sentado por longos períodos, são fatores que concorrem para o aparecimento desta doença. Apesar de poder ser observada noutras partes do corpo, a sua localização é mais frequente na região do cóccix.

Esta aglomeração de pelos no interior das camadas mais profundas da pele causa uma reação inflamatória e a formação de uma espécie de quisto que comunica com o exterior por pequenos canais que se reconhecem nos orifícios observados na superfície da pele.

A entrada de bactérias para o quisto é causa das infeções frequentemente associadas a esta doença. A infeção é a responsável pela saída frequente de sangue e pus, podendo, em casos mais graves, haver a formação de vários trajetos que podem drenar para a superfície cutânea. Noutros casos podem observar-se úlceras compostas de tecido infetado.

Em muitos doentes surge uma complicação aguda muito dolorosa pela acumulação de pus e que se denomina de abcesso e que é uma das formas de apresentação inicial da doença.

Podemos assim concluir que o sinus pilonidal pode manifestar-se em vários graus de gravidade, que vão desde a ausência de sintomas até situações complicadas com trajetos múltiplos e que, com alguma frequência, podem atingir grandes dimensões.

A infeção dos tecidos pode contaminar o osso adjacente, podendo originar uma infeção crónica grave a que se dá o nome de osteomielite. Embora tenham sido raramente observados, estão descritos casos de aparecimento de tumores malignos da pele em doentes com sinus pilonidal de longa evolução.

Dado que a existência de pelos é condição fundamental para o aparecimento da doença, a depilação definitiva com laser tem sido reconhecida pelas suas vantagens. Para além de diminuir a gravidade da doença, contribui para a diminuição de recidivas após tratamento cirúrgico.

Outras medidas que deverão ser levadas em linha de conta são a diminuição de peso e a limitação de tempo na posição sentado. Nos dias que correm, o trabalho e o lazer que obrigam a longos períodos em frente ao computador, são fatores que aumentam a incidência de sinus pilonidal, sendo convenientes medidas preventivas que possam atenuar os efeitos da pressão na zona do cóccix.

A cura do sinus pilonidal só pode ser conseguida através da cirurgia. Existem várias técnicas cirúrgicas clássicas para o tratamento desta doença, sendo que quase todas têm em comum um pós-operatório muito doloroso, uma convalescença demorada e a necessidade de pensos geralmente muito penosos para o doente. Em alguns casos, a cicatrização completa pode demorar várias semanas ou até vários meses.

Para além de tudo isto existe ainda possibilidade de recidiva, que implica a execução de novo procedimento cirúrgico e a repetição de mais um ciclo de sofrimento. Este panorama leva a que muitos doentes não aceitem este tipo de tratamento e a que, no seu quotidiano, os cuidados especiais de higiene e de desinfeção se tornem num ritual que necessita ser repetido várias vezes ao longo do dia.

A remoção minimamente invasiva do sinus pilonidal com o auxílio de videoscopia e energia laser veio revolucionar a forma de tratamento desta doença, pela possibilidade um pós-operatório quase isento de dor, uma recuperação rápida, cómoda e um rápido regresso à vida normal.

A operação é efetuada em regime de ambulatório com anestesia geral ou epidural. O primeiro passo do procedimento é a introdução, através de um orifício na pele, de uma ótica com 3 mm de calibre ligada a uma câmara de vídeo que permite visualizar o interior do quisto num ecrã e remover, sob visão direta, os pelos e o tecido inflamatório aí existentes.

Em seguida, através de uma fibra ótica com pouco mais de um milímetro de calibre são feitos vários disparos de energia laser. Os cuidados operatórios constam de limpeza e desinfeção que podem ser efetuados pelo doente. As complicações desta cirurgia são diminutas e de fácil resolução. O grau de eficácia deste procedimento é em média de 85%, mas em caso de insucesso, este tipo de cirurgia pode ser repetido da mesma forma.

A taxa de recidiva, ou seja, a possibilidade de aparecimento de novo episódio de doença, não se torna mais frequente neste tipo de cirurgia se comparada com as técnicas mais invasivas.

Para além do tratamento cirúrgico, as outras medidas acima já referidas, nomeadamente a depilação definitiva com laser, contribuem de forma importante para evitar o aparecimento de um novo sinus pilonidal.

Desde 2017 que adotei este tipo de cirurgia para tratar os mais de quatrocentos doentes que até hoje em mim confiaram. Para além da excelente eficácia, é importante salientar o elevado grau de satisfação de todos os que optam por ser tratados com esta técnica. É bom sentir que, ao apostar e ser pioneiro nesta nova abordagem, estou a contribuir um pouco para mudar a história de quase duzentos anos de cirurgia.

Notícia relacionada

Fissura anal

A dose certa de informação. Sem contraindicações.

Subscreva a newsletter Dose Diária.

Esteja em cima do acontecimento.

Ative as notificações do SAPO.

Damos tudo por tudo, para que não lhe falte nada de nada!

Siga o SAPO nas redes sociais. Use a #portalSAPO nas suas publicações.