"Um não acordo com o FMI é quase um suicídio. É por isso que nós estamos neste momento numa situação de colapso económico e é preciso que os dirigentes sejam sérios", afirmou hoje o presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), Jorge Bom Jesus.

"Isto de dizer com acordo ou sem acordo, avançamos, é uma irresponsabilidade, quase uma loucura e é inadmissível, não pode ser. Nós sabemos a importância que o FMI tem, não só para São Tomé e Príncipe, mas como também para muitos países em desenvolvimento", acrescentou, em referência a declarações do primeiro-ministro, Patrice Trovoada.

Jorge Bom Jesus sublinhou ser "sabido" que, sem o acordo com o FMI, o país tem "as portas fechadas às instituições de crédito" e não conseguirá dar passos, porque "não tem capacidade para andar sozinho".

"Há que encontrar uma solução. Há cedências que têm que ser feitas. Há que discutir até à exaustão", defendeu o líder do MLSTP-PSD, na conferência de imprensa, na sede do partido.

No sábado, o primeiro-ministro são-tomense disse que não aceita a proposta do Fundo Monetário Internacional para aumentar o preço do combustível e eletricidade em troca do acordo de crédito alargado, para não piorar a situação social no arquipélago.

Segundo Patrice Trovoada, "as pistas de solução" apresentadas "para as contas baterem certo" passam pelo aumento do combustível em 30%, aumento da eletricidade em 20% e do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) em 2%, além da necessidade de um parceiro para "financiar a taxas concessionais uma grande parte da importação de combustível".

"Isso é uma pista, mas não nos traz a solução", sublinhou Patrice Trovoada, que esteve reunido na semana passada com a missão técnica do Fundo que esteve no arquipélago.

"Nós também não somos pelo agravamento da fiscalidade, aumentar as taxas, aumentar tudo por aumentar. Também não somos apologistas disto", reagiu o presidente do MLSTP-PSD quando questionado pela Lusa sobre a posição do Governo face às propostas do FMI.

Jorge Bom Jesus classificou de "populistas" algumas medidas anunciadas na sexta-feira pelo Governo, entre as quais a redução das despesas de funcionamento em 50% e a suspensão das missões de serviço ao exterior financiadas pelo Estado face à "difícil situação financeira".

"Este Governo fala de medidas de corte, como se estivesse a começar agora a governação. Há muita coisa que já devia ter acontecido há mais de um ano e meio e que não aconteceu", defendeu Bom Jesus, referindo que "a situação do país é de tal forma gritante" que não há grandes margens para cortes.

O ex-primeiro-ministro considerou que "há uma incapacidade de mobilização de financiamento" por parte do atual Governo, defendendo a demissão do primeiro-ministro.

"O Governo é um todo, mas o Governo tem um chefe e quando o chefe não dá conta do recado pode-se perfeitamente mudar de chefe, mudar de chefia. Possivelmente haverá outras pessoas, outras competências, outros líderes com capacidade de conduzir o barco a bom porto", defendeu Jorge Bom Jesus, assegurando que "o MLSTP e a oposição não têm sede de poder" e que vai aguardar a sua vez nas eleições de 2026.

A Presidência da República, "mais do que ser mais interventiva, tem de assumir as suas responsabilidades", disse, apontando a falta de convocação de alguns órgãos, nomeadamente o Conselho de Estado e o Conselho Superior de Defesa.

"A nossa democracia regrediu, a nossa democracia está doente", considerou o líder da oposição são-tomense.

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