Depois de o crescimento no continente se ter fixado em 3,7% em 2022, os países africanos registarão uma ligeira aceleração do PIB nos próximos dois anos, e uma queda na inflação, que, no entanto, permanecerá nos dois dígitos em 2023 (14,4%) e ficará em 9,6% em 2024.

Entre as várias regiões africanas, as que registarão uma maior inflação no corrente ano são o Norte de África (16%), África Ocidental (15,1%), África Austral (14,6%).

Ainda com uma inflação na casa dos dois dígitos surge a África Oriental, com 11%, e, com a menor percentagem, a região da África Central, com 3,6% de inflação em 2023.

Estas projeções integram o principal relatório económico da ONU, o 'World Economic Situation and Prospects Report 2023', que aponta ainda que o maior crescimento do PIB este ano será registado na África Oriental (5,1%), sendo seguida pelo Norte de África (4,8%), África Ocidental (3,8%), África Central (3,4%) e, por fim, a África Austral (2,3%).

Num panorama mais geral, a inflação global deverá permanecer elevada em 2023, em 6,5%, e a produção mundial desacelerará face a 2022, fixando-se em 1,9%, anunciou a ONU, pedindo aos governos que evitem a austeridade.

Segundo o relatório, uma série de choques graves reforçaram-se em 2022 - como a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e consequentes crises alimentar e energética, aumento da inflação, aperto da dívida, assim como a emergência climática -, e que continuarão a ter impacto na economia mundial em 2023.

As perspetivas económicas apresentadas pelas Nações Unidas são "sombrias" quer para as economias desenvolvidas, quer para as em desenvolvimento, onde dominam as perspetivas de recessão para este ano.

"O ímpeto de crescimento enfraqueceu significativamente nos Estados Unidos, na União Europeia e em outras economias desenvolvidas em 2022, impactando negativamente o restante da economia global através de vários canais. O aperto das condições financeiras globais, juntamente com um dólar forte, exacerbou as vulnerabilidades fiscais e de dívida nos países em desenvolvimento", analisa o texto.

Em relação a África, o relatório frisa que o continente foi atingido por uma confluência de choques, como a guerra na Ucrânia, que enfraqueceu ainda mais as perspetivas de crescimento das economias africanas, uma vez que ocorreu num momento em que os países estavam ainda a recuperar-se dos impactos da pandemia de covid-19, dos choques climáticos e de crises de segurança em alguns países.

"A parcela de países africanos com inflação de dois dígitos disparou para 40% em 2022, impulsionada principalmente por interrupções na cadeia de suprimentos e pelas consequências da guerra na Ucrânia, que encareceu os alimentos essenciais e os produtos energéticos", aponta o relatório.

Apesar de prever que os preços de exportação favoráveis beneficiarão os exportadores de 'commodities' africanos, as Nações Unidas realçam que uma desaceleração na procura global representará desafios para o continente.

"Espera-se que as pressões inflacionárias diminuam em 2023, com o aperto da política monetária em todo o continente. No entanto, os custos de empréstimos em rápido crescimento e os encargos do serviço da dívida representam riscos significativos, juntamente com a instabilidade eleitoral e a insegurança alimentar", avaliou a ONU.

MYMM // RBF

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