"A política de exportação de trigo está proibida com efeito imediato", exceto os envios "para os quais já foram emitidas uma carta de crédito irrevogável" antes desta notificação, declarou a Direção-Geral de Comércio Externo num comunicado divulgado na noite de sexta-feira.

Esta decisão do Governo indiano foi motivada principalmente pelo conflito na Ucrânia e pelas ondas de calor que prejudicaram a produção do cereal no país.

A Direção-Geral de Comércio Externo indiana especificou que o Governo indiano pode emitir uma licença especial para exportar trigo para países que correm o risco de sofrer com a escassez de alimentos e, assim, atender às suas necessidades.

O texto referiu que a medida foi adotada "considerando que o Governo da Índia está comprometido com os requisitos de segurança alimentar da Índia, países vizinhos e outros países em desenvolvimento vulneráveis que são afetados negativamente por mudanças repentinas no mercado mundial de alimentos e não conseguem aceder a fornecimentos suficientes de trigo".

Este anúncio ocorreu depois de, na quinta-feira, o Ministério do Comércio indiano ter estabelecido uma meta para este ano fiscal de 10 milhões de toneladas de trigo para exportação.

No último ano fiscal 2021-2022, a Índia superou o seu recorde de exportação de trigo, atingindo sete milhões de toneladas deste cereal, no valor de mais de 2.000 milhões de dólares (1.920 milhões de euros), segundo a Direção-Geral de Comércio Externo.

A proibição das exportações de trigo contradiz as alegações feitas em abril passado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, quando disse que a Índia poderia alimentar o resto do mundo se a Organização Mundial do Comércio (OMC) lhe desse permissão para fazê-lo.

A Índia é o segundo maior produtor de trigo, colhendo anualmente cerca de 107 milhões de toneladas, o que representa 13,5% da produção mundial, segundo dados do Ministério do Comércio indiano.

No entanto, a maior parte dessa safra é destinada ao consumo interno.

O preço do trigo disparou no mercado mundial desde o início da invasão da Rússia na Ucrânia, em 24 de fevereiro, já que os dois países envolvidos no conflito representam cerca de 30% das exportações mundiais deste cereal.

O aumento do custo do trigo, somado ao de outros alimentos e do petróleo, elevou a inflação na Índia para 7,79% em abril, o seu nível mais alto desde maio de 2014.

Além disso, a Índia foi afetada nas últimas semanas por várias ondas de calor severas, chegando a 47 graus Celsius em algumas partes do país, que devastou os seus campos de trigo e reduziu o rendimento das colheitas.

CSR // JH

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