Segundo o coordenador comissão conjunta representativa dos trabalhadores da Prodel, Fernando Pedrão Romão, a greve foi declarada em assembleia geral, realizada na terça-feira em alguns centros de produção da empresa estatal angolana.

"A greve será interpolada, a primeira fase será durante os dias 18, 19 e 20 de abril, mas com redução de produção, e depois vamos para a outra fase, nos dias 02, 03, 04 e 05 de maio, mas ainda assim continuamos de portas abertas para o diálogo", afirmou hoje o sindicalista à Lusa.

Os salários do mês de março foram liquidados "com base na tabela unilateral elaborada pela administração da empresa" e não à luz da tabela aprovada em "reunião conjunta e consensual" de 20 de dezembro de 2021, que estabelecia ajuste de 19,2%.

"Se ele [presidente do conselho de administração] cumpriu com os 19,2% da massa salarial, como refere um despacho, implica dizer que tem que satisfazer a nossa tabela salarial acordada, agora ele deu uma tabela que não condiz com a realidade", salientou.

Fernando Pedro Romão deu a conhecer também que a entidade patronal e a Inspeção Geral do Trabalho assistiram à assembleia que declarou a paralisação dos funcionários da Prodel, advertindo para as "consequências" da greve a nível do país.

"Vamos cumprir com os serviços mínimos, mas não se descarta a redução de produção", notou, referindo que o sindicato tem uma reunião com o patronato, prevista para a próxima segunda-feira "para explicar as eventuais consequências da greve".

A direção da Prodel anunciou, em 14 de março, que elaborou uma nova tabela salarial, no âmbito das negociações com o sindicato, considerando "não ser necessário o recurso à greve", como tencionam os trabalhadores.

"A verdade, porém, é que a empresa fez sair uma nova tabela salarial e, se essa tabela não vai ao encontro aos interesses da comissão sindical, obviamente que vamos continuar a aguardar e continuar a negociar, em sede própria, que é a mesa de negociações", afirmou o diretor de Comunicação Institucional da Prodel, Mariano de Almeida, em declarações à Lusa.

A nova tabela salarial, aprovada em despacho do presidente do conselho de administração da Prodel, de 11 de março, e a que a Lusa teve acesso, distribui os salários da empresa nas classes A, B e C, distribuídos nas categorias de técnico superior especialista do primeiro ao quarto escalão, técnico superior do primeiro ao terceiro escalão, técnico médio especialista do primeiro e segundo escalão, técnico médio do primeiro ao terceiro escalão, técnico geral do primeiro ao terceiro escalão e auxiliar do primeiro e segundo escalão.

O salário de um técnico especialista do primeiro escalão, à luz da nova tabela da Prodel varia entre 741.000 kwanzas (1.400 euros) e 859.000 kwanzas (1.600 euros), de um técnico superior do primeiro escalão entre 562.000 kwanzas (1.000 euros) e 596.000 kwanzas (1.100 euros) e de um técnico médio do primeiro escalão entre 390.000 kwanzas (753 euros) e 425.000 kwanzas (820 euros).

Para o coordenador da comissão conjunta representativa dos trabalhadores da Prodel, Fernando Pedrão Romão, a tabela aprovada pela empresa pública angolana "contraria" a aprovada na reunião conjunta de dezembro de 2021.

Segundo o sindicalista, o salário de um técnico especialista do primeiro escalão, na tabela conjunta, era entre 845.000 kwanzas (1.600 euros) e 855.000 kwanzas (1.700 euros) de um técnico superior do primeiro escalão era entre 730.000 kwanzas (1.400 euros) e 750.000 kwanzas (1.440 euros) e de um técnico médio do primeiro escalão era entre 540.000 kwanzas (1.000 euros) e 570.000 kwanzas (1.100 euros).

A greve dos trabalhadores da Prodel deve abranger os aproveitamentos hidroelétricos de Laúca, maior complexo hidroelétrico angolano construído no Rio Cuanza, entre as províncias de Malanje e Cuanza Sul, Cambambe, (Cuanza Norte), Capanda (Malanje), Matala (Huíla), Gove (Huambo), Biópio (Benguela), Luachimo (Lunda Norte), Luquixe, Tchimbwe Dala (Lunda Sul), Mabubas (Bengo) e Lomaum (Benguela).

DYAS // LFS

Lusa/Fim

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