
Chegou a hora! Seis meses depois de terem garantido a quarta presença num EuroBasket, e 74 anos após a estreia no evento por convite em Paris-1951 (15.º lugar), os Linces estão de regresso à fase final do campeonato, que arranca amanhã e conhecerá o campeão a 14 de setembro e tendo a Espanha na defesa do título ganho em 2022.
Evento que, nesta 42.ª edição, se divide entre as cidades de Riga (Letónia), Tampere (Finlândia), Limassol (Chipre) e Katowice (Polónia), mas a partir dos oitavos de final apenas se disputa na primeira, onde, para já, está o Grupo A de Portugal, 56.ª seleção do ranking mundial, integra a supercandidata ao título Sérvia (2.ª), assim como a anfitriã Letónia (9.ª), Chéquia (19.ª), Turquia (27.ª) e Estónia (43.ª).
«Tenho noção de que como treinador principal esta qualificação é o resultado mais importante da carreira. Como técnico principal nunca tive um resultado desta dimensão»
Da última participação num Euro, Lituânia-2011 (21.º/24.º lugar) só se mantém o selecionador Mário Gomes, então adjunto de Mário Palma, o diretor da Seleção José Pinto Alberto e o técnico de equipamentos José França. Aliás, de todas as presenças, onde em Espanha-2007 se alcançou um histórico 9.º lugar, apenas Élvis Évora, Miguel Minhava e Miguel Miranda jogaram em duas edições (2007 e 2011). E Sérgio Ramos, que atuou em 2007, é agora um dos adjuntos de Gomes.
Foi com o selecionador que A BOLA conversou sobre o momento que, aos 68 anos, considera ser o mais importante da carreira. Por isso interessava saber, na véspera de começar o EuroBasket-2025, o que tudo significa a nível pessoal? «O sentimento, com toda a sinceridade, não é muito diferente de ter chegado como treinador adjunto ao Europeu de 2011 e ao Mundial de 2010 (pela Jordânia). Agora, tenho noção de que como treinador principal esta qualificação é o resultado mais importante da carreira. Como técnico principal nunca tive um resultado desta dimensão, e por isso tem a importância que tem». conta.
E após os seis encontros de preparação que realizou (4 v-2 d), se bem que desejava mais para poder trabalhar melhor a equipa em jogo, que expectativas tem? «O jogo para o qual dispomos mais tempo para trabalhar especificamente é o primeiro, com a Chéquia. Depois temos um dia e há um caso em que nem sequer um dia de descanso existe, só umas horas. Por isso, teremos de assentar na mesma base que conseguimos criar até agora. Mas, as minhas expectativas são as mesmas que eram em fevereiro. Quando definimos os objetivos não sabíamos: quem iriam ser os adversários, iríamos ter os jogadores todos, ou se os opositores estariam ou não desfalcados», vai referindo.
«Tentar e dar o nosso melhor é a nossa obrigação, mas o que desejo é ultrapassar a fase de grupos e disputar pelo menos um encontro dos oitavos de final»
«Entrando numa competição com estas características, definimos o objetivo que temos que definir: procurar passar a primeira fase e chegar à segunda. Isto sabendo que é muito difícil, até porque o sorteio não foi propriamente uma pera doce para nós. Mas, esse é o foco que a mim, enquanto treinador que tem ambições e procura transmiti-las à equipa, tínhamos que definir, porque irmos para uma competição destas a dizer que vamos tentar isto ou aquilo, nunca entendi isso como um objetivo. Tentar e dar o nosso melhor é a nossa obrigação, mas o que desejo é ultrapassar a fase de grupos e disputar pelo menos um encontro dos oitavos de final», deixa claro sobre uma meta apenas concretizada por Portugal em 2007.
«O que penso e quero que os jogadores assumam é que só temos um jogo a cada altura e neste momento é contra a República Checa.
«Mas, por agora, não vale a pena estar a pensar nisso, pois só iremos saber se o conseguimos a 3 de setembro e não podemos estar com a cabeça concentrada nesse dia. O que penso e quero que os jogadores assumam é que só temos um jogo a cada altura e neste momento é contra a República Checa. Então virá outro e outro… E no fim fazemos as contas», vai referindo.
«A competição é a uma velocidade tal que não podemos nem embandeirar em arco quando ganharmos, nem entrar em depressão quando perdermos»
«Estar a jogar no dia 27 a pensar num objetivo que só vamos saber se o atingimos sete dias depois, a única coisa que iremos conseguir é trazer mais pressão e não a temos de ter para além daquela que é normal para quem anda a competir: cada dia dar o seu melhor. Depois a competição irá colocar-nos no nosso lugar. Sempre encarei as coisas desta maneira e continuo a fazê-lo», reforça.
Apesar de desejar que os jogadores apenas pensem jogo a jogo, o primeiro (Chéquia) e o último (Estónia) da fase de grupos serão aqueles que poderão ser decisivos para se concretizar a passagem aos oitavos de final, concorda? «Sim, teoricamente é assim. O primeiro é sempre um encontro muito importante, porque conforme corra melhor ou pior o estado de espírito da equipa fica diferente. Mesmo sem termos muito tempo para estados de espírito ou de alma. A competição é a uma velocidade tal que não podemos nem embandeirar em arco quando ganharmos, nem entrar em depressão quando perdermos» salienta.
«Agora, do ponto de vista teórico, as equipas que parecem ser mais equilibradas connosco, são a Chéquia e da Estónia, não há que estar a esconde-lo. No entanto, vamos ter que ir jogando cada encontro a ver o que é que dá e depois, em função daquilo que for acontecendo, logo veremos se é a altura de continuar a lutar por aquele resultado ou de, eventualmente, começar a pensar no embate seguinte», revela sem problemas face aos adversários que Portugal terá pela frente.
«As coisas são imprevisíveis. Sabendo que à partida, na teoria, todas as equipas são mais fortes do que nós, há outras que são ainda mais fortes. Toda a gente o sabe e não vamos esquecê-lo», completa.
Esta qualificação foi conseguida com uma equipa muito equilibrada e sem estrelas, Neemias Queta apenas participou em duas partidas e há dois anos. Em cada jogo houve sempre um, dois ou três jogadores que deram um passo em frente.
«A partir de amanhã, o que irá ser decisivo é a capacidade mental dos jogadores. A partir desse momento, nós e as outras equipas já não vamos melhorar fisicamente.
Porém, nesta fase final de preparação para o EuroBasket, ficou a ideia de ter surgido um grupo de seis/sete elementos que realmente começaram a fazer a diferença em campo. Sentiu isso? «Até certo ponto sim, se bem que, a partir de amanhã, o que irá ser decisivo é a capacidade mental dos jogadores. A partir desse momento, nós e as outras equipas já não vamos melhorar fisicamente. A nível tático pode aparecer uma surpresa ou outra, um ajustamento aqui ou ali, mas aquilo que é a base das seleções em prova está montado», vai justificando.
«O que vai ser fundamental é a capacidade mental das equipas e de cada jogador em dar resposta àquilo que a competição for trazendo.
«E depois o que vai ser fundamental é a capacidade mental das equipas e de cada jogador em dar resposta àquilo que a competição for trazendo. Mas, durante a preparação, é verdade que houve jogadores que devido a maior consistência se destacaram em relação a outros. Só que eu, normalmente quando vou para os jogos faço-o a pensar sempre que todos podem ser uma opção numa determinada altura da partida. E dou muitas vezes alguns exemplos, como o que aconteceu num encontro que foi decisivo, quando ganhámos à Ucrânia fora. Talvez o elemento mais determinante, tirando o Travante Williams nos últimos minutos, tenha sido o Diogo Gameiro. E nem sequer havia entrado no jogo anterior, contra Israel», recorda Mário Gomes.
«São embates diferentes, adversário e momentos diferentes e às vezes as decisões saem bem e noutras vezes nem tanto. Relativamente a isso, trouxe a cabeça completamente limpa. Conto com todos, como contaria com aqueles que não estão», assegura.
«Todos mereciam estar neste campeonato da Europa e receber a mesma confiança da minha parte. No caso particular do Ricardo Monteiro, foi uma resolução mesmo muito, muito difícil»
«Já agora, aproveito para dizer que é com muita pena minha que os quatro jogadores que ficaram de fora, três por lesão (André Cruz, Gonçalo Delgado, Anthony da Silva) e um por decisão minha, que sou quem tem de assumir, todos mereciam estar neste campeonato da Europa e receber a mesma confiança da minha parte. No caso particular do Ricardo Monteiro, foi uma resolução mesmo muito, muito difícil», revela sobre o último homem a ser cortado, na passada quinta-feira, do plantel de 12 que está em Riga.
«A força de Portugal é o coletivo. E uma segunda será a química da equipa, a coesão entre os jogadores»
«Tenho muita pena que o Ricardo não esteja no EuroBasket porque durante o apuramento marcou presença em todas as janelas de qualificação. Ajudou sempre. Mas decidimos por aquilo que achamos que é o melhor para a equipa. Da mesma forma também lamento os outros três não terem podido lutar por um lugar na fase final do Europeu como mereciam, tal como os que estão cá», declara.
E em uma ou duas frases, qual é a força de Portugal? «O coletivo. A força de Portugal é o coletivo. E uma segunda será a química da equipa, a coesão entre os jogadores. Temos que ter a mesma capacidade de sofrer uns pelos outros, como tivemos até agora. E depois, nuns dias sobressaem uns, noutros dias sobressaem outros. Mas é por aí: a química da equipa e o coletivo. A nossa solução tem que ser o coletivo», reforçou Mário Gomes.
Seleção Nacional
Nome: Cândido Sá
Data nascimento: 7 de novembro 1992 (32)
Altura: 2,06m
Naturalidade: Lisboa
Posição: poste/extremo
Número: 29
Clube: Cáceres (Esp)
Nome: Daniel Relvão
Data nascimento: 26 de junho, 1996 (29)
Altura: 2,08m
Naturalidade: Coimbra
Posição: poste
Número: 14
Clube: Benfica
Nome: Diogo Brito
Data nascimento: 24 de abril, 1997 (28)
Altura: 1,96m
Naturalidade: Póvoa de Varzim
Posição: extremo/base
Número: 0
Clube: Obradoiro (Esp)
Nome: Diogo Gameiro
Data nascimento: 13 de agosto, 1995 (30)
Altura: 1,83m
Naturalidade: Seixal
Posição: base
Número: 13
Clube: Benfica
Nome: Diogo Ventura
Data nascimento: 24 de junho, 1994 (31)
Altura: 1,94m
Naturalidade: Almada
Posição: base
Número: 9
Clube: Sporting
Nome: Francisco Amarante
Data nascimento: 24 de março, 2000 (25)
Altura: 1,95m
Naturalidade: Ílhavo
Posição: base/extremo
Número: 6
Clube: Sporting
Nome: Neemias Queta
Data nascimento: 13 de julho, 1999 (26)
Altura: 2,13m
Naturalidade: Lisboa
Posição: poste
Número: 88
Clube: Boston Celtics (EUA)
Nome: Nuno Sá
Data nascimento: 25 de março, 1997 (28)
Altura: 2,00m
Naturalidade: Curral das Freiras
Posição: extremo
Número: 25
Clube: Joventut Llucmajor (Esp)
Nome: Miguel Queiroz
Data nascimento: 4 de julho, 1991 (34)
Altura: 2,04m
Naturalidade: Portimão
Posição: extremo/poste
Número: 11
Clube: FC Porto
Nome: Rafael Lisboa
Data nascimento: 27 de novembro, 1999 (25)
Altura: 1,83m
Naturalidade: Oeiras
Posição: base
Número: 28
Clube: Ourense (Esp)
Nome: Travante Williams
Data nascimento: 29 de julho, 1993 (32)
Altura: 1,97m
Naturalidade: Anchorage (EUA)
Posição: extremo/base
Número: 5
Clube: LeMans (Fra)
Nome: Vladyslav Voytso
Data nascimento: 30 de julho, 1999 (26)
Altura: 2,00m
Naturalidade: Chortkiv (Ucr)
Posição: extremo
Número: 2
Clube: FC Porto
Selecionador: Mário Gomes (68 anos). Adjuntos: Sérgio Ramos (49) e Nuno Manarte (49)
Calendário
FASE DE GRUPOS*
27 agosto/3 setembro
Grupo A (Riga, Letónia): Portugal (56.º ranking mundial), Estónia (43.º), Letónia (9.º), Turquia (27.º), Sérvia (2.º), Rep. Checa (19.º).
Xiaomi Arena, 11.200 espectadores
27 agosto
Rep. Checa-Portugal, 12h45
Letónia-Turquia, 16h00
Sérvia-Estónia, 19h15
29 agosto
Turquia-Rep. Checa, 12h45
Estónia-Letónia, 16h00
Portugal-Sérvia, 19h15
30 agosto
Rep. Checa-Estónia, 12h45
Letónia-Sérvia, 16h00
Turquia-Portugal, 19h15
1 setembro
Estónia-Turquia, 12h45
Portugal-Letónia, 16h00
Sérvia-Rep. Checa, 16h00
3 setembro
Estónia- Portugal, 12h45
Rep. Checa-Letónia, 16h00
Turquia-Sérvia, 19h15
Grupo B (Tampere, Finlândia): Alemanha (3.º ranking mundial), Finlândia (20.º), Grã-Bretanha (48.º), Lituânia (10.º), Suécia (49.º), Montenegro (16.º).
Nokia Arena, 13.455 espectadores
Grupo C (Limassol, Chipre): Chipre (84.º ranking mundial), Itália (14.º), Geórgia (24.º), Espanha (5.º), Grécia (13.º), Bósnia e Herzegovina (41.º).
Spyros Kyprianou Athletic Center, 8.000 espectadores
Grupo D (Katowice, Polónia): Islândia (50.º ranking mundial), França (4.º), Eslovénia (11.º), Polónia (17.º), Bélgica (40.º), Israel (39.º).
Spodek, 11.036 espectadores.
* Passam aos oitavos de final os quatro primeiros de cada grupo
FASE A ELIMINAR
Xiaomi Arena, em Riga
Oitavos de final, 6 e 7 de setembro
Quartos de final, 9 e 10 de setembro
Meias-finais. 12 de setembro
3.º lugar, 14 de setembro
Final, 14 de setembro