"Se as peças fossem legítimas, o valor que, eventualmente, o burlão poderia conseguir está, neste momento, com as 40 peças [26 apreendidas nas buscas de quarta-feira e as restantes ao longo da investigação] nos cerca de 250 mil euros", indicou em declarações aos jornalistas ao final da manhã, o coordenador de investigação criminal da Diretoria do Norte, Pedro Silva.

Iniciada há três anos, a investigação, que não está ainda concluída, culminou, na quarta-feira, com a realização de diversas buscas domiciliárias e em estabelecimentos no Grande Porto, das quais resultaram a apreensão de 26 pinturas, hoje expostas no local onde decorreu a conferência de imprensa.

Para além da detenção de um comerciante com cerca de 50 anos, que a PJ diz ser o principal responsável pela rede de falsificação, foram constituídos mais cinco arguidos que, tal como o líder da operação, estão indiciados por crimes de burla qualificada e falsificação.

Entre as pinturas apreendidas estão falsificações de obras de artistas nacionais, como Almada Negreiros, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Noronha da Costa, José Malhoa, Cutileiro e Domingos Alvarez, mas também de um autor internacional -- Malangatana -- que tem uma das duas falsificações apreendidas avaliada em 13 mil euros.

A Diretoria do Norte admite, contudo, que possam existir mais obras que não foram identificadas, e mais suspeitos de envolvimento nesta rede de falsificação de obras de arte que operava por todo o país.

De acordo com o coordenador da investigação, a rede agora desmantelada tinha como principal responsável um "marchand" (comerciante) de arte, referenciado "há mais de 10 anos", por introduzir no comércio de arte nacional, leiloeiras e galerias, obras pictóricas falsas, elaboradas "ao estilo" ou reproduções de grandes mestres nacionais e estrangeiros.

O esquema envolvia ainda um "falsário" que, detido num estabelecimento prisional da zona Norte - cuja identidade a PJ não quis revelar - produzia e assinava a pintura, e um conjunto de indivíduos responsáveis pela colocação no mercado, e em particulares de boa-fé, das peças produzidas".

A produção da pintura falsa decorria na sala de artesanato desse estabelecimento prisional, onde o "falsário", de forma "legítima", era municiado dos materiais necessários, tais como telas, pincéis, folhas de papel de desenho, tubos de tinta e óleo, frascos de óleo de linhaça, lápis de carvão, papel vegetal, papel químico e outros.

Após a produção, as pinturas saíam do estabelecimento prisional, também de forma "legítima", através de visitas autorizadas -- dado não haver meios para identificar as falsificações - sendo as mesmas seguidamente escoadas para o circuito comercial pelo cabecilha da rede, que era quem coordenava todo o esquema.

De acordo com o inspetor, este "falsário" estava preso por crimes de outra natureza, não se encontrando neste momento detido. A PJ não descarta também a possibilidade de existir mais do que um "falsário".

A investigação, que contou com a colaboração da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, prossegue no sentido de identificar a totalidade das peças contrafeitas produzidas, bem como a sua atual localização, acrescenta a PJ.

O detido, de 50 anos, comerciante de arte, foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de obrigação de permanência na habitação.

Salientando que estas falsificações estavam a inundar o mercado, o coordenador da investigação refere que, com esta investigação "complexa", foi possível "colocar um ponto final naquilo que vinha a ser uma preocupação dos agentes culturais e do setor".

VSYM (PM)//LIL

Lusa/Fim

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