"O que está a acontecer em Ancuabe, Meluco e alguns episódios em Chiure e Memba são a dinâmica das operações de grande vulto que estão a ocorrer na província de Cabo Delgado, particularmente com aquilo que era o processo para a tomada de base Catupa, o centro de gravidade dos terroristas", explicou à comunicação social Cristóvão Chume, momentos após uma reunião com a ministra da Defesa e do Serviço Cívico da Tanzânia, Stergomena Lawrence Tax, em Maputo.

Em causa estão novos ataques na faixa sul da província que começaram a ser registados no início de junho, visando sobretudo pontos recônditos do distrito de Ancuabe e Meluco, tendo as incursões provocado pânico também em alguns distritos próximos, nomeadamente Metuge, Mecúfi e Chiure.

Segundo o governante, as novas incursões rebeldes nestes novos pontos são resultado do impacto da tomada das posições dos rebeldes na base Catupa, localizada numa mata densa do distrito de Macomia.

"Uma vez que [a base Catupa] foi tomada, é claro que vamos ver os terroristas a criarem problemas em algumas zonas de forma isolada. Mas a situação está mais estável", frisou Cristóvão Chume.

A base Catupa, descrita como o principal refúgio dos rebeldes em Macomia, estava localizada numa mata densa do distrito e albergava insurgentes que fugiram das operações militares que culminaram com a recuperação de Mocímboa da Praia, em agosto do ano passado, segundo informações avançadas pelas Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique em 23 de julho.

Durante a operação para a tomada da base Catupa, segundo as forças governamentais moçambicanas, dezenas de rebeldes foram abatidos, incluindo um líder do grupo, tendo também sido apreendido material bélico, em quantidade não especificada, e computadores, bem como rádios de comunicação que eram usados pelos insurgentes para coordenar ações.

Pelo menos 600 pessoas raptadas por rebeldes em Cabo Delgado foram resgatadas durante a operação, que levou pouco mais de quatro meses, segundo informação oficial do Ministério da Defesa do Ruanda, país que apoia Moçambique no combate à insurgência, ao lado de outras forças de estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há cerca de 800 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a SADC permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio.

EYAC // RBF

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