"Todos vieram para fazer presente a igreja, não viemos como agentes de ajuda humanitária, não viemos para mandar fotografias bonitas para toda a gente, para dizer 'estou numa situação difícil e devem, portanto, olhar-me como um herói'. Não viemos para fazer aquilo que é do nosso interesse, da nossa vontade, viemos ao deus para servir a sua igreja", referiu.

"É uma ilusão contar sempre com aplausos e não é uma questão de escolha", acrescentou, dizendo que "sofrer adversidades" faz parte da "identidade cristã".

António Juliasse falava durante a cerimónia realizada na capital provincial de Cabo Delgado, confirmando-o à cabeça da igreja católica na província, lugar que já ocupa desde fevereiro de 2021, primeiro como administrador apostólico e desde abril como bispo da diocese.

Perante o público, disse que não tem uma varinha mágica para resolver todos os problemas da província, que enfrenta uma grave crise humanitária, mas referiu que, com as ideias de todos será possível elevar a diocese de Pemba.

Inácio Saure, arcebispo de Nampula, que hoje formalmente confirmou António Juliasse na liderança da diocese, lembrou os dias difíceis que muitos viveram enquanto "pastores da igreja" em Pemba por alertarem para o drama da violência armada.

Foi o caso do brasileiro Luiz Fernando Lisboa, anterior bispo, hoje presente na cerimónia.

Até 2021, foi uma das vozes mais ativas na denúncia da crise humanitária vivida no norte de Moçambique devido aos ataques de rebeldes armados naquela região rica em gás natural.

Agora acredita que o sucessor vai dar "continuidade" ao trabalho de apoio da igreja à população da província.

Também o secretário de Estado na província, António Supeia, pediu o "envolvimento" de António Juliasse na mobilização de "assistência para as famílias deslocadas".

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário. 

RYCE/LFO // JMR

Lusa/Fim

 

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