O cartaz em questão, com as cores da bandeira ucraniana, era empunhado por mulheres que envergavam um "vinok", as coroas de flores tradicionais que se tornaram num símbolo de patriotismo durante a guerra.

A marcha entre Hyde Park e Trafalgar Square mobilizou milhares de pessoas, que repetiram palavras de ordem como "Parem a Rússia, parem a guerra" e "Enviem armas para a Ucrânia, a Rússia é um país terrorista".

Embrulhada numa bandeira ucraniana, Anissia, uma das pessoas que se juntou à vigília posterior à manifestação, não esquece o apoio que o Reino Unido tem oferecido à Ucrânia em termos de armas e material militar.

"Os britânicos são dos que mais ajudam e nunca se esquecem de mencionar a Ucrânia, enquanto muitos dos outros só falam e não se importam tanto", afirmou a jovem de 18 anos natural de Kiev.

Juntamente com a tia Tamara, Anissia viajou cerca de duas horas desde a vila Market Deeping, cerca de 150 quilómetros a norte de Londres, para estar presente nesta ação que percorreu várias ruas da capital britânica.

Quando a invasão começou, em 24 de fevereiro de 2022, fugiu com a família porque foram aconselhadas a procurar refúgio, mas entretanto ficou a viver com os avós porque a mãe, licenciada, não conseguia melhor emprego do que em limpezas.

"Vou fazer aqui um curso em Inteligência Artificial, porque aqui as universidades são melhores, mas depois quero voltar para o meu país", afirmou à agência Lusa.

No entanto, sente falta dos amigos, espalhados por diferentes países europeus

Tamara, que é profissional independente no setor da educação, diz que os dois filhos, de três e nove anos, integraram-se bem na escola primária britânica.

"Gostavam de ter esta escola na Ucrânia, mas já lhes expliquei que isso não é possível", riu-se, confessando que nunca pensou que teria de ficar no Reino Unido mais do que alguns meses.

O Governo britânico estima que ter atribuído o estatuto de refugiado a mais de 283 mil ucranianos nos últimos dois anos e anunciou que vai permitir a prorrogação destes vistos por mais 18 meses, até pelo menos setembro de 2026.

"Abriram-nos os braços e foram acolhedores", disse Tamara sobre os britânicos, revelando que quase todos os vizinhos têm bandeiras da Ucrânia nas janelas.

"Neste aniversário, temos de renovar a nossa determinação", afirmou hoje o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, numa declaração por ocasião do segundo aniversário do início da invasão russa na Ucrânia.

"Agora é o momento de mostrar que a tirania nunca triunfará e de dizer mais uma vez que estaremos ao lado da Ucrânia agora e no futuro", acrescentou.

O Reino Unido anunciou hoje uma nova ajuda de 245 milhões de libras (287 milhões de euros) para ajudar a Ucrânia a reabastecer-se de munições.

O Rei Carlos III também divulgou um comunicado no qual disse que "a determinação e a força do povo ucraniano continuam a inspirar, à medida que o ataque não provocado à sua terra, às suas vidas e aos seus meios de subsistência entra no terceiro e trágico ano".

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a II Guerra Mundial (1939-1945).

Os aliados ocidentais da Ucrânia têm fornecido armamento a Kiev e aprovado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.

O conflito -- que entra agora no terceiro ano - provocou a destruição de importantes infraestruturas em várias áreas na Ucrânia, e um número por determinar de vítimas civis e militares.

BM // SCA

Lusa/Fim