Dois dias depois do tiroteio em Minneapolis, nos Estados Unidos, já são conhecidos os nomes das duas vítimas mortais. Harper Moyski, de 10 anos, e Fletcher Merkel, de oito anos, foram atingidos a tiro durante a missa na igreja que pertence à escola Annunciation.

"Ontem, um covarde decidiu tirar-nos o nosso filho Fletcher, de oito anos", começou por dizer o pai da criança, Jesse Merkel, durante uma conferência de imprensa. "Por favor, lembrem-se do Fletcher pela pessoa que ele era e não pelo ato que acabou com a sua vida", cita a BBC.

"Nunca mais poderemos abraçá-lo, conversar e brincar com ele, vê-lo crescer e se tornar o jovem maravilhoso que estava a caminho de se tornar", disse visivelmente emocionado enquanto recordava que o filho adorava pescar.

"Dêem aos vossos filhos um abraço e um beijo extra hoje. Nós amamos-te. Fletcher, estarás sempre connosco."

Star Tribune via Getty Images

"Nenhuma família deveria ter de suportar este tipo de dor"

Também os pais de Harper a recordam com uma menina "inteligente, alegre e profundamente amada, cujo riso, bondade e espírito tocavam todos que a conheciam". Em comunicado, disseram esperar que a "sua memória incentive ações" para acabar com a violência armada.

"Nenhuma família deveria ter de suportar este tipo de dor", começaram por escrever. "A mudança é possível e necessária, para que a história da Harper não se torne mais uma numa longa série de tragédias".

"A luz de Harper brilhará sempre através de nós e esperamos que a sua memória inspire outros a trabalhar por um mundo mais seguro", afirmaram, pedindo privacidade para "chorar a perda, apoiar a irmã mais velha de Harper e nos mantermos unidos"

Além de Harper e Fletch, mais 15 crianças, com idades entre os seis e 15 anos, ficaram feridas. Assim como três adultos com cerca de 80 anos. A polícia continua a investigar as razões para o ataque, mas em cima da mesa está a hipótese do atirador, que pôs fim à vida depois do ataque, nutria crenças antirreligiosas extremas.

O autor do ataque armado era membro da igreja e foi aluna da escola até 2017, confirmou a polícia local. "A mãe trabalhou para a paróquia durante algum tempo, mas não vimos nada específico que pudesse desencadear a quantidade de ódio que ocorreu ontem", declarou o comandante da polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, ao canal televisivo NBC News.

O alto responsável da polícia de Minneapolis explicou que o protocolo da escola de trancar as portas da igreja assim que a missa começava, de manhã cedo, impediu a atiradora, identificada como Robin Westman, de disparar de dentro do edifício, causando mais vítimas.

"Encontrem-me, estou a implorar por ajuda"

O suspeito, de 23 anos, e que concluiu aquele ciclo de ensino em 2017, partilhou alegadamente uma série de vídeos e textos nas redes sociais que já foram apagados pelo FBI (Departamento Federal de Investigação, serviços secretos internos de informações e segurança dos Estados Unidos).

Neles, via-se uma coleção de armas com mensagens racistas e antissemitas inscritas, como "seis milhões não foram suficientes", uma referência ao Holocausto. Nas gravações, o jovem fala dos seus pensamentos suicidas e deixa um recado à família, em que pede desculpa pelos seus atos.

Aparece também a segurar um caderno contendo uma série de rabiscos cirílicos sem sentido, bem como nomes de assassinos em massa, entre os quais Adam Lanza, o autor do massacre da Escola Primária Sandy Hook, de Newton, no Connecticut.

Star Tribune via Getty Images

A sua mãe pediu a alteração legal do nome do suspeito do ataque de Robert para Robin, segundo consta nos documentos oficiais, pelo que as autoridades suspeitam que estaria a meio de um processo de mudança de género.

Segundo a investigação, Robin, que não tinha antecedentes criminais, agiu sozinho, desconhecendo-se ainda o seu motivo. Não consta também que Westman se tenha debatido com doenças mentais.

No entanto, de acordo com a CNN que fez uma análise aos cadernos do jovem, Robin demonstrava sinais que não foram entendidos pelos que o rodeavam. "Encontrem-me, estou a implorar por socorro, estou a gritar por socorro", terá escrito.

"Devemos agir por amor aos nossos filhos"

Star Tribune via Getty Images

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, advertiu na quarta-feira de que não será tolerado qualquer comportamento de ódio em relação à comunidade trans devido a estes factos."Devemos agir por amor aos nossos filhos", defendeu.

A polícia recuperou uma espingarda, uma caçadeira e uma pistola utilizadas no ataque armado, todas elas legalmente adquiridas. As autoridades cumpriram quatro mandados de busca relacionados com o tiroteio.

- Com Lusa