Desde as primeiras horas de hoje que todo o perímetro da embaixada da Guiné-Conacri, no centro de Bissau, está ocupado por polícias armados, controlando o acesso de viaturas à zona.

Fonte do Ministério do Interior guineense, que comanda várias corporações policiais, disse à Lusa que a medida foi tomada pelo Governo de Bissau em resposta "às ameaças reais" à embaixada da Guiné-Conacri.

Na quarta-feira, um grupo de cidadãos daquele país "tentou entrar à força" na instalação da embaixada, mas foi impedido pelas forças da ordem da Guiné-Bissau, explicou a fonte.

Em vários países de África, há relatos de atos de vandalismo em embaixadas da Guiné-Conacri, por parte de cidadãos daquele país, alegadamente descontentes com o processo eleitoral em curso.

Na Guiné-Bissau, onde existe uma considerável comunidade de cidadãos da Guiné-Conacri, são recorrentes, nos últimos dois meses, ações de campanha e de apoio aos líderes e partidos políticos em corrida eleitoral.

Bissau foi palco, na semana passada, de várias manifestações por parte de apoiantes de Alpha Condé e Cellou Diallo, dois principais candidatos à presidência da Guiné-Conacri.

As manifestações costumam trazer às ruas da capital guineenses jovens e dezenas de viaturas com música, cartazes e dísticos de apoio dos dois candidatos, e a polícia da Guiné-Bissau chegou a ser chamada para evitar confrontos.

As rivalidades entre as duas candidaturas nas eleições da Guiné-Conacri também animam as conversas nas redes sociais entre os cidadãos da Guiné-Bissau, com uns a apoiarem Alpha Condé, presidente que tenta um terceiro mandato, e Cellou Diallo, eterno candidato à presidência do país.

Cerca de 5,4 milhões de eleitores escolheram domingo o próximo presidente da Guiné-Conacri, numa eleição marcada pela contestação à recandidatura de Alpha Condé e pela morte de dezenas de manifestantes.

O Presidente cessante, Alpha Condé, de 82 anos, primeiro chefe de Estado eleito democraticamente em 2010 após décadas de regimes autoritários na Guiné-Conacri, foi reeleito em 2015 para um segundo mandato e vai tentar agora um terceiro.

Durante um referendo em março, muito contestado, fez aprovar uma nova Constituição e de seguida considerou, com os seus apoiantes, que o novo texto lhe permite voltar a concorrer ao escrutínio.

Os seus adversários denunciaram um "golpe de Estado constitucional". Segundo a oposição, pelo menos 90 pessoas morreram no último ano devido a incidentes durante manifestações contra uma nova candidatura de Condé.

MB // JH

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