Numa nota de repúdio, o MEA salienta que os estudantes tencionavam realizar o protesto no perímetro da instituição para reclamar do aumento das taxas para a realização de recursos, provas e a emissão de declarações e cartões, entre outros serviços.

"É vergonhoso e humilhante chegar a este nível. A ditadura usurpou um espaço de libertação de consciência, um espaço de produção científica, como se fosse um exército ou comando da Polícia Nacional", refere a nota.

O MEA sublinha que o "arsenal bélico exibido na faculdade Agostinho Neto demonstra o quão musculado é o Governo angolano, [que] tem mais músculos (físicos) do que cérebro".

Os estudantes exortam a Faculdade de Ciências Sociais a pautar-se pelo cumprimento da Constituição da República de Angola e da lei, realçando que o direito à manifestação é um direito constitucional.

"O MEA insta o Ministério do Ensino Superior a parar com o esbulho aos pacatos estudantes que nada têm a ver com a delapidação dos cofres públicos, os estudantes não devem pagar a crise do roubo e incompetência", lê-se no documento.

O movimento alerta que se a situação "de perseguição, cadeias, torturas, prevalecer", será promovida "uma paralisação brusca em todo o país, com vista à reposição dos direitos dos estudantes".

"Angola registará, pela primeira vez, a greve dos estudantes", promete o MEA, exigindo à Polícia Nacional que solte "imediatamente" os estudantes, que "apenas exigiam a reposição dos seus direitos e prenderem quem cria o caos social ao povo".

"Para terminar, o MEA solidariza-se incondicionalmente com todos os estudantes de Angola e, em particular, os da Faculdade de Ciências Sociais e encoraja-os a continuar a exercer os seus direitos de forma plena consciência", salienta a nota.

A Lusa contactou a polícia para confirmar as detenções, mas esclarecimentos sobre o assunto foram remetidos para mais tarde.

Informações divulgadas nas redes sociais apontam para detenção de, pelo menos, nove estudantes.

 

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