"Daquilo que são as previsões, posso dizer que sentimo-nos muito animados, todavia as previsões são previsões, por isso vamos acompanhar, já tivemos vários casos em que as previsões falharam e outros em que a realidade acabou por ser de acordo com as previsões", afirmou o ministro, em declarações à agência Lusa, na cidade da Praia.

Na terça-feira, Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) previu que a época das chuvas este ano vai começar mais cedo e que poderão ser entre excedentárias e normais.

O país está a enfrentar mais um ano de produção agropecuária deficitária, o quarto ano consecutivo, na sequência da falta de chuva e de distribuição bastante irregular.

Mas ao contrário do que acontecia em anos anteriores, nos últimos dias choveu em alguns pontos do país, renovando as esperanças dos agricultores e criadores.

O ministro salientou que as chuvas neste mês "fazem parte da natureza", em que o clima está a mudar a nível mundial, mas que vieram trazer "algum ânimo" aos trabalhadores do campo.

"As previsões anunciadas trouxeram algum ânimo, agora é prepararmo-nos muito bem para a realização da campanha e ver se tiramos o maior proveito, sendo certo que nós temos um dispositivo de seguimento permanente de toda a situação durante toda a campanha e, à medida que as coisas vão evoluindo, vamos podendo também trazer novos dados e novas informações", garantiu.

Desde 2017 que o país tem enfrentado sucessivos anos de seca, com consequente redução da produção agropecuária e do rendimento das famílias, especialmente no meio rural, contribuindo também para a deterioração da segurança alimentar e nutricional das famílias e para a redução da disponibilidade da água para o abastecimento público e para a agricultura irrigada.

Durante uma reunião restrita do dispositivo regional de prevenção e gestão das crises alimentares no Sahel e na África Ocidental, o ministro da Agricultura e Ambiente avançou que dados recentes estimaram que cerca de 107 mil pessoas se encontravam sob pressão em termos alimentares e cerca de 30 mil em situação de insegurança alimentar.

Em fevereiro último, o Governo declarou situação de calamidade no país até 31 de outubro, devido aos maus resultados do ano agrícola, e anunciou medidas preventivas e especiais.

As medidas integram ações de reforço da capacidade de produção agro-silvo-pastoril e proteção dos ecossistemas, mobilização e reforço da gestão da água e reforço da resiliência das famílias e comunidades, num montante de mais de quatro milhões de euros, contabilizou.

Entre as medidas está ainda o aumento da capacidade de 'stock' de cereais, apoio às compras agrupadas, compensação financeira para a manutenção dos preços dos cereais, bonificação da ração animal ou reforço da alimentação escolar.

Mesmo com a continuação das chuvas nos próximos dias em todas as ilhas, o ministro disse que não se prevê a retirada ou alívio de algumas medidas para mitigar os feitos das crises, garantindo que vão ser levadas até ao fim.

"Mesmo que venha a chover muito bem, a produção só vai acontecer, com proveito, no final do ano agrícola, portanto, no final de outubro. Por isso, somente as previsões não chegam, é necessário que possamos produzir e avaliar a produção e saber como é que isto pode vir a contribuir para a melhoria da situação alimentar e nutricional", afirmou.

Cabo Verde, que depende da importação de bens alimentares em mais de 80% para suprir as suas necessidades de consumo, está ainda a viver uma crise profunda, motivada pela covid-19 e pela guerra na Ucrânia, que levou o país a declarar situação de emergência social e económica.

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