Os agricultores espanhóis iniciaram há uma semana protestos contra as políticas e regulamentos europeus para o setor da Agricultura, como está a acontecer noutros países, com manifestações convocadas nas redes sociais, mas também pelas organizações agrícolas.

O calendário de protestos para as próximas semanas integra as convocatórias conjuntas das três grandes confederações de agricultores (Asaja, UPA - União de Pequenos Agricultores e Ganadeiros e Coordenadora de COAG - Organizações de Agricultores e Ganadeiros), com manifestações planeadas até 24 de fevereiro em diversos pontos de Espanha.

Um dos dias com mais protestos organizados pelas confederações deverá ser a próxima quarta-feira, 14 de fevereiro, para quando estão agendadas "tratoradas" (manifestações com tratores) em 12 cidades espanholas, incluindo em locais como o porto de Motril (Granada, no sul do país) e um mercado abastecedor de Madrid (Mercamadrid).

Para o dia seguinte, as confederações convocaram protestos para os portos de Algeciras e Valência (no sul e leste de Espanha), além de manifestações em diversas regiões espanholas.

Além das três confederações, a associação União de Uniões (UDU) anunciou um calendário próprio de protestos, com destaque para uma "tratorada" em 21 de fevereiro em Madrid, em frente da sede do Ministério da Agricultura.

Na Catalunha, a organização União de Agricultores convocou também protestos em vários pontos da região para os próximos dias.

Hoje, no sétimo dia consecutivo de manifestações de agricultores em Espanha, voltou a haver estradas cortadas, total ou parcialmente, em vários pontos do país, embora em menor quantidade e com menor mobilização do que na semana passada.

Na Internet, a autodenominada Plataforma 6F (numa alusão aos dia 06 de fevereiro, quando arrancaram as manifestações em Espanha), que se desmarca das confederações agrícolas e protagonizou várias das mobilizações da semana passada, tinha apelado ao protesto no sábado em Madrid, com caravanas de tratores e outros veículos que bloqueassem o acesso à capital espanhola. O apelo não teve, porém, resposta e não houve protestos em Madrid no sábado.

O apelo da Plataforma 6F levou, porém, as autoridades de segurança de Espanha a destacar cerca de 540 polícias da força antidistúrbios para Madrid no sábado, com dispositivos especiais para proteger alguns locais, como a sede do Partido Socialista (PSOE, que lidera o Governo), um alvo referido nas convocatórias dos protestos na Internet.

Os agricultores europeus, incluindo em Portugal, têm saído à rua nas últimas semanas para exigir a flexibilização da Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia (UE) e mais apoios para o setor.

A Comissão Europeia vai preparar uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores, que será debatida pelos 27 Estados-membros em 26 de fevereiro.

Na terça-feira passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a retirada da proposta da instituição visando reduzir para metade o uso de pesticidas na agricultura até 2030, parte central da legislação ambiental europeia, que é também um dos alvos dos protestos dos agricultores.

MP // SCA

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