"Os casos foram relatados no último trimestre" na província e cidade de Maputo, sendo que "a maioria das mulheres denunciou casos de violência verbal e psicológica", disse à Lusa Camila Fanheiro, diretora executiva da Saber Nascer.

O cenário mais comum consiste em insultos e berros por parte de profissionais de saúde e outros funcionários das unidades hospitalares, além de cobranças ilícitas. 

"Já tivemos um caso de violência física, por exemplo, em que um médico deu um soco numa mulher", referiu Camila.

De acordo com a associação, do total de casos registados, sete foram apresentados às unidades hospitalares, dois seguiram para as instâncias judiciais e os restantes não foram denunciados porque "as mulheres sentiram-se receosas e desistiram".

"A maioria destas mulheres nem sequer sabia que se tratava de violência e nem onde denunciar", acrescentou a diretora da Saber Nascer.

Os dados foram anunciados a par do lançamento da campanha Humaniza Moz, com duração de um ano e que deverá abranger todas as províncias do país, que pretende travar a violência nos serviços de maternidade através da divulgação dos direitos das mulheres, além da promoção de debates e diálogo entre o Governo, profissionais de saúde e sociedade civil.

"A campanha vai servir como um veículo para a resolução do problema. Queremos influenciar a criação de uma lei ou norma de proteção das mulheres no contexto obstétrico", referiu Camila Fanheiro.

As 10 organizações da sociedade civil que subscrevem a campanha pedem "tolerância zero aos maus tratos e atendimentos degradantes nas maternidades" moçambicanas, bem como a responsabilização dos autores.

De acordo com o último censo populacional, o rácio de mortes maternas é de 452 por 100.000 nados vivos, o que continua a colocar Moçambique entre os países onde as mulheres têm elevado risco de morte durante a gravidez, parto e período pós-parto.

LYN // JH

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