Desde miúda que me disseram “tens um sonho? Então luta por ele, até ao fim!”.

E foi isso que fiz, mesmo quando aquela frase não me fazia sentido e me parecia mais uma conversa aborrecida de quem me queria repreender por um erro, todavia não cometido.

A verdade é que estudei, li, redigi, trabalhei na minha confiança- sobretudo e acima de tudo na interior- e lutei para ser rigorosa em cada emprego que tive até aos dias de hoje.

Cheguei sempre a cada entrevista tranquila, e consciente, acima de tudo, de que o que tinha para oferecer era aquilo mesmo que estavam a ver.

No trabalho, no amor, na família ou até mesmo na saúde, para quê mascararmo-nos do que não somos?

(As pessoas que vivem uma vida de “faz de conta” lembram-me aquelas mulheres que vão às festas, todas aperaltadas, com uma cinta que não as deixa nem respirar, no fim, chegam a casa com os pés inchados, a barriga a rebentar pelas costuras e com um sorriso que em momento algum foi verdadeiro, porquê?

Há coisas que não percebo mesmo nos dias que correm, a ideia de uma festa é parecermos bem, ou estarmos realmente bem?)

Bem, mas voltemos ao que me fez escrever-te, sabes dizer-me o que esperam, exatamente, da geração dos “trinta’s?”.

Se tudo correu bem entrámos aos 18 anos na Universidade, concluímos a Licenciatura aos 22, posteriormente, caso tenhamos possibilidades financeiras, seguimos para um Mestrado, e estamos assim com uma média de 25/26 anos a estudar para chegar ao cargo “dos nossos sonhos”, isto é, se tivermos forma de conseguir sequer uma reunião com a chefia que idolatramos desde que nos lembramos de ser gente. Deixo o reparo que muitas vezes ainda fazemos “formações pós-laborais” que enriquecem o CV, temos horas extras em estágios curriculares (não remunerados) e testes nas diversas áreas profissionais para “ver se é mesmo isto que queremos”. E heis-que na tão esperada reunião nos perguntam “E mais?”. Mais? Como assim “mais”? Será que se referem aos 6 meses de vida onde os nossos pais nos estiveram a mudar fraldas, ou aos períodos em que saímos das nossas cidades para viajar 2/3 dias para conhecer um bocadinho do mundo, graças ao novo milagre chamado “companhias aéreas Low-cost”?

Para onde é que caminhamos? O que temos de fazer para, finalmente, conseguirmos um trabalho digno de construirmos um futuro, de pensarmos sequer no presente?

Em momento algum desvalorizo o trabalho feito pelos meus pais e avós, o que sofreram e passaram para terem os tão preciosos “canudos”, mas lá está, eram “valiosos”, para eles, mas para o mercado, também.

Os meus pais lutaram muito, sim, mas o mundo viu-os e obviamente que tudo o que não aprenderam na faculdade, adquiriram a trabalhar, foi-lhes dado um voto de confiança.

A nós? Desafio-te a passares duas semanas a enviares currículos diariamente pelas plataformas comuns, manda uma média de 50 diários, queres que te poupe trabalho? Nem respostas terás, isto não só é altamente desmotivante como é frustrante e desgastante.

Não basta estar num processo de procura, como ainda estou na ânsia de receber um sinal, por mais simples que seja “obrigada, mas não te enquadras”. Isto é suficiente para seguir o meu caminho.

A geração dos “trinta’s” tem o que poucas têm: força, resiliência, capacidade de adaptação, “não sabe?” Aprende! dificilmente baixa os braços e conheço poucos que não sabem exatamente o que querem fazer enquanto andam por cá. De tanto que nos prendem os braços que esperneamos com tudo o que podemos as pernas.

 Sabes o que temos também? A certeza de que, quando temos um sonho, nada nos fará parar de lutar, por muito que o silêncio seja ensurdecedor e ecoe durante noites e noites seguidas, algum dia alguma voz irá soar e a nossa será novamente ouvida.

Vai! basta acreditar.

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