
Neste mundo acelerado, onde confundimos produtividade com ocupação constante, será que nos lembramos que a melhor performance nasce do equilíbrio? Como líderes e profissionais da área de Gestão de Talento, temos o privilégio – e a responsabilidade – de lembrar às nossas equipas que tão importante como o nosso trabalho é, também, o nosso descanso. Está cientificamente comprovado que períodos prolongados de trabalho sem descanso levam à exaustão, ao desgaste, ao desânimo, à diminuição da qualidade das nossas decisões.
No meu caso concreto, confesso que não domino totalmente a “tática” do “desligar nas férias”, mas posso adiantar que tenho vindo a recorrer a uma “metodologia” simples, embora nem sempre praticada:
- Antecipar e delegar: Algumas semanas antes de ir de férias, começo a organizar todos os temas em curso, indicando os/as colegas a quem delego determinadas tarefas e responsabilidades (definimos previamente, em conjunto, a fim de esclarecer dúvidas e ajudar a antecipar assuntos). No último dia de trabalho, antes das férias, partilho este documento com todos os envolvidos e, no regresso, é muito mais fácil para todos fazer o seguimento do que foi concluído;
- Informar: Antes de ir de férias, informo todos os meus contactos diretos internos, recordando o período em que estarei ausente, indicando os contactos alternativos que darão o apoio necessário caso surja alguma questão. Também preparo uma mensagem de “Out of Office”, interna e externa, diminuindo assim a minha potencial curiosidade em verificar a caixa de email nas férias – e consequente resposta.
- Planear atividades de lazer: Aproveitar os momentos de descanso com atividades que me façam sentir bem, permitam o relaxamento e o "slow living", desfrutando do "agora", sem pressas. Estes momentos são cruciais para “desligar” das rotinas e temas do trabalho, mas também para estimular a criatividade e, acima de tudo, para dedicarmos tempo a nós mesmos e à nossa família e/ou amigos.
- Desligar notificações: Durante o período de férias desligo as notificações de emails e Teams, e evito aceder a plataformas de trabalho (sempre que possível). Este é um dos tópicos mais controversos da temática “Desligar nas férias”, pois temos de distinguir o que nos gera mais stress: consultar o email e saber que tudo está a ser resolvido ou não consultar o email e estar sempre a imaginar o que poderá estar a acontecer! E é aqui que entra a nossa capacidade de decidir o que pretendemos fazer para manter o nosso equilíbrio e harmonia entre uma vida que não se divide: a nossa, a vida profissional e a vida pessoal.
Quando nos permitimos desligar, damos oportunidade ao nosso cérebro para se reorganizar, a nossa criatividade floresce e, por consequência, a produtividade renova-se e destaca-se na qualidade do nosso trabalho. É por isso que “parar” nunca poderá ser visto como um capricho ou fraqueza, mas sim como um bem essencial e imprescindível à nossa evolução, enquanto pessoas, enquanto profissionais. “Parar” é “preparar”, é “investir” em nós próprios para darmos o nosso melhor e darmos o melhor aos outros. Numa cultura people first, valorizar e encorajar o descanso é fundamental para todos. É um sinal de maturidade organizacional e de respeito pelas pessoas. Porque cuidar de quem trabalha connosco é também garantir que todos têm espaço para cuidar de si.
Desligar não é fácil, especialmente quando sentimos que tudo depende de nós. Mas é precisamente aí que reside a força de uma equipa: na confiança e na preparação.
E quando regressamos? Regressamos melhores – mais focados, mais criativos, mais motivados, mais entusiasmados, mais leves e mais humanos! Voltamos prontos para contribuir com mais qualidade – não necessariamente com mais horas.
People Leader da Eurofirms