
“O meu ciclo no DeRaiz chega oficialmente ao fim”, publica Inês Beja na sua página pessoal de instagram, dando conta de que a ausência no restaurante já se prolonga desde a reabertura, no início de agosto, depois das férias e das obras que se seguiram a um pequeno incêndio.
O fogo, que terá tido origem num curto-circuito a 21 de junho, obrigou a remodelar parcialmente o espaço, pintar paredes de novas cores e recuperar algum mobiliário. O DeRaiz reabriu a 2 de agosto, já sem Inês ao leme: “talvez alguns já tivessem notado a minha ausência desde o reabrir das portas”, refere na mesma publicação.
“Com o tempo percebi que precisava de procurar novos desafios, aplicar novas ideias e continuar a transportar memórias para outros lugares. Não melhores nem piores, apenas distintos”, nota. A chef destaca o Garfo de Prata, conquistado pelo restaurante na edição de 2025 do Guia Boa Cama Boa Mesa: “Sei quer deixo para trás um restaurante Garfo de Prata, reconhecido a nível nacional como um dos grandes restaurantes tradicionais, um projeto que conquistou distinções e reconhecimento”, nota. Agora é tempo de encerrar um ciclo: “Encerrar é escolher não voltar atrás; é aceitar que algumas páginas já estavam escritas em silêncio antes de se fechar o livro”. “Levo comigo a gratidão do caminho percorrido, a memória do que ficou e a coragem de recomeçar”, sublinha.
Inaugurado por Inês Beja e Nuno Forte em 2019, o DeRaiz destaca-se pela aposta na cozinha tradicional da região a partir de receitas tradicionais, herdadas das avós de ambos, servidas numa casa típica beirã.
Na edição de 2025 do Guia Boa Cama Boa Mesa, em que o espaço foi distinguido com Garfo de Prata, pode ler-se sobre o restaurante DeRaiz (Rua da Capela, 13, Rebordinho. Tel. 928052162):
Abençoados pela igreja com que dividem o largo, Inês Beja e Nuno Fonte, ambos cozinheiros, conhecem a técnica e a tradição regional, bem como a magia de servir comida com sabor a casa. Recolheram receitas das avós, com carinho e memória, e adaptaram-nas à atualidade. Para acentuar a tradição, recuperaram uma casa tipicamente beirã, numa aldeia às portas de Viseu, investiram na amesendação, na garrafeira e no serviço cuidado. O resultado é uma harmonia embalada pelo sino que ecoa de meia em meia hora. “A proximidade é o que nos distingue. Aqui as pessoas desaceleram”, garantem. Aprecie, pois, sem pressas, o pão feito na casa, antes de celebrar o tributo familiar nos “Ovos verdes da avó Raquel” e nos “Pastéis de massa tenra da avó Nazaré”. Experimente o “Atum à Bulhão Pato”, os carolos de milho – a sazonalidade dita o acompanhamento – e não perca o “Pato assado com arroz de forno, laranja e pinhões”. Junto à lareira, acesa no tempo frio, no final, a escolha complica-se: “Rabanada e creme de baunilha” ou “Pão de ló húmido”?