Programa europeu reforçou medidas de resposta às alterações climáticas em Timor-Leste

Um programa europeu de combate às alterações climáticas em Timor-Leste permitiu reforçar a monitorização meteorológica, a diversificação agroflorestal ou construção de viveiros, disse hoje o embaixador de Portugal, país que apoiou o projeto.

A capacitação de técnicos do setor foi outro dos aspetos dominantes do Programa de Apoio à Aliança Global para as Alterações Climáticas em Timor-Leste (GCCA-TL na sigla em inglês) que começou a ser implementado em julho de 2014 e que termina este mês.

Os resultados do projeto, com um orçamento da UE de quatro milhões de euros e cofinanciamento do Instituto Camões em quase 109 mil euros, foram hoje apresentados na Embaixada de Portugal em Díli.

Intervindo no encontro de hoje, o embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, destacou a importância de programas como este para ajudar a combater os efeitos das alterações climáticas que já se fazem sentir em Timor-Leste.

"Os efeitos das alterações climáticas são visíveis na imprevisibilidade das chuvas e nos fenómenos climáticos extremos, que originam períodos de chuva curta e intensa, intercalados com longos períodos de seca, com impactos diretos ao nível da produção agrícola, principal fonte de rendimento da população timorense", disse.

"Este programa reflete uma das prioridades da Cooperação Portuguesa - o reforço de parcerias estratégicas com Estados-Membros da UE - e a união de esforços para o desenvolvimento de programas em Timor-Leste, em setores tão importantes como o ambiente e a agricultura", sublinhou.

Hugo Miguel Trindade, coordenador-geral do projeto, explicou que o objetivo foi "contribuir para a sustentabilidade do bem-estar das comunidades rurais em Timor-Leste", ajudando a "melhorar a capacidade das populações vulneráveis aos riscos das alterações climáticas para lidarem com os efeitos destas alterações".

Questões como a gestão sustentável dos recursos naturais e melhoria das suas opções de modos de vida, alcança-as através "do uso dos mecanismos de desenvolvimento local que tenham em conta a inclusão social e a gestão de conflitos".

Além do Camões e da Cooperação alemã (GIZ), o projeto foi implementado com a colaboração do Ministério da Agricultura e Pescas de Timor-Leste (MAP).

Direcionado em particular para técnicos do MAP e para agricultores, o programa incidiu nas bacias hidrográficas das ribeiras de Loes e de Seiçal, com o Camões a ficar responsável pela implementação em 14 sucos em Loes (6 sucos em Liquiçá e 8 sucos em Ermera) e a GIZ a assumir a responsabilidade em 21 sucos (15 em Baucau e 6 em Viqueque).

O programa ajudou a estabelecer monitorização meteorológica confiável nos 13 municípios, ajudando a medir os efeitos do clima na produção agrícola e no ambiente.

"Os resultados da regular análise agrometeorológica são produzidos de forma acessível para os produtores rurais e as conclusões obtidas suportarão a definição de políticas nacionais com base em evidências", explica uma nota do GCCA-TL.

As "respostas de adaptação aos desafios climáticos" já são incorporadas em pelo menos 50% dos planos de desenvolvimento de suco, nos postos administrativos identificados como vulneráveis aos riscos das alterações climáticas, e de uma forma "socialmente inclusiva".

Medidas de recuperação ambiental, a implementação de atividades sustentáveis de desenvolvimento de meios de vida e a melhoria do diálogo social ajuda a "melhorar a resiliência das comunidades rurais que habitam em pelo menos 50% dos postos administrativos identificados como vulneráveis aos riscos das alterações climáticas".

O programa ajudou ainda a elaborar um conceito para a gestão da rede de estações agrometeorológicas sob responsabilidade do MAP, instaladas em todo o país, que "serve de guia de procedimentos para a recolha de dados e manutenção das estações".

Conferências e campanhas nacionais sobre alterações climáticas, visitas de campo, uma campanha televisiva de promoção de práticas de diversificação agroflorestal fizeram ainda parte do programa.

Nas zonas de intervenção foram ainda instalados 139 viveiros comunitários que, em conjunto, produziram cerca de um milhão de mudas agroflorestais que permitiram reforçar de sistemas florestais e agroflorestais existentes e criar novos.

Em termos globais 2.400 famílias receberam apoio para plantarem nos seus terrenos, ajudando a criar fontes adicionais de rendimento, mas também na conservação dos recursos naturais para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas.

ASP // VM

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