Um salvadorenho que se tornou símbolo da política migratória do Presidente norte-americano, Donald Trump, por ter sido injustamente expulso e devolvido aos Estados Unidos após vários meses de batalha judicial, foi novamente detido, anunciou esta segunda-feira o advogado.

Kilmar Abrego García foi detido quando se apresentou aos serviços de imigração em Baltimore, vários dias após a sua libertação de uma prisão no estado do Tennessee, indicou o seu advogado, Simon Sandoval-Moshenberg, à multidão reunida em frente ao edifício.

Em março deste ano, Abrego García foi deportado para El Salvador sem julgamento, juntamente com mais de 250 homens, a maioria por alegada pertença a um gangue venezuelano.

O Governo Trump reconheceu posteriormente um "erro administrativo" em relação a este residente no estado de Maryland (leste), casado com uma cidadã norte-americana.

Abrego García não possui estatuto legal de imigrante em território norte-americano, e uma ordem para a sua deportação para El Salvador tinha sido definitivamente anulada em 2019.

O cidadão salvadorenho acabou por ser transportado de volta aos Estados Unidos em junho, mas o Governo Trump imediatamente iniciou um processo contra ele no Tennessee (sul), mantendo-o detido por ajudar migrantes a permanecer ilegalmente no país. Foi libertado na sexta-feira passada.

No entanto, o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) intimou-o a comparecer esta segunda-feira de manhã perante os serviços de imigração, informando os seus advogados da sua possível transferência para o Uganda, em África.

"Hoje, a polícia de imigração [ICE] deteve Kilmar Abrego García e iniciou um processo para a sua expulsão" dos Estados Unidos, confirmou esta manhã a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem.

Os Estados Unidos acusam Abrego García de ser membro do gangue salvadorenho MS-13, classificado como "organização terrorista" pelo novo Governo norte-americano.

Dirigindo-se a uma multidão de apoiantes reunidos em frente aos serviços de imigração de Baltimore, antes de entrar no edifício, Kilmar Abrego García disse-lhes: "Aconteça o que acontecer hoje, (...) prometam-me que continuarão a rezar, a lutar, a resistir e a amar, não só por mim, mas por todos. Continuem a exigir a liberdade".