
A "maior missão de solidariedade da história" com Gaza sai no domingo, de Barcelona, para levar ajuda humanitária ao território palestiniano e denunciar "o genocídio" da população local por parte de Israel, disse a organização.
A Global Sumud Flotilla, uma frota humanitária com destino a Gaza, vai integrar cerca de 50 barcos com ajuda humanitária e centenas de pessoas a bordo, entre elas, ativistas, políticos, artistas ou outras figuras públicas oriundas de 44 países.
Os primeiros 30 barcos saem no domingo de Barcelona, no nordeste de Espanha, e outros se unirão, em 04 de setembro, em Tunes, oriundos de diversos portos do Mediterrâneo.
A organização prevê que a viagem até Gaza leve perto de duas semanas.
"Será a maior missão de solidariedade da história, já que tem mais gente e mais barcos do que todas as tentativas [de frotas] somadas até hoje para chegar a Gaza", disse um dos porta-vozes da Global Sumud Flotilla, o ativista brasileiro Thiago Ávila, numa conferência de imprensa na semana passada.
Três portugueses vão integrar a Global Sumud Flotilla: a deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.
Miguel Duarte - que se tem dedicado aos direitos dos migrantes e ao resgate de pessoas no Mediterrâneo - disse à Lusa que esta iniciativa pode ser "um ponto de viragem na história destas 'flotillas' para Gaza", a partir do Mediterrâneo, que já têm quase duas décadas.
"É de longe a maior e penso que é de longe a que tem mais probabilidade de conseguir efetivamente fazer chegar a ajuda humanitária a Gaza", afirmou.
Além da dimensão, a Global Sumud Flotilla terá, à partida, uma visibilidade também inédita, por integrar "gente de muitos países e gente com plataformas", como "deputados e eurodeputados, ativistas conhecidos, atores de cinema", sublinhou.
As comitivas dos diversos países integram políticos e outras figuras públicas conhecidas das respetivas opiniões públicas de cada país, estando também confirmada a presença de nomes conhecidos mundialmente, como o da ativista sueca Greta Thunberg ou da atriz norte-americana Susan Sarandon.
"A visibilidade é muito grande e isso dá-nos proteção, para já. Porque o que nós vamos fazer é desafiar o cerco ilegal que as forças israelitas mantêm sobre o povo de Gaza", disse Miguel Duarte, que lembrou que "muitas outras 'flotillas', quase todas, foram intercetadas e as tripulações foram ilegalmente capturadas".
"Cometer essas ilegalidades, que muitas vezes são brutais, são violentas, torna-se mais difícil com muitos olhos" em todo o mundo a ver, acrescentou.
Miguel Duarte afirmou que além do objetivo de levar ajuda humanitária a Gaza e denunciar a carência da população, esta iniciativa espera que os diversos governos, como o português, "ponham em prática todos os esforços diplomáticos necessários" para garantir a segurança de quem vai a bordo dos barcos, mas também "a segurança da ajuda humanitária destinada a aliviar algum sofrimento das pessoas e estão sofrer genocídio em Gaza".
"Noutro nível, esperamos que o Governo português corte relações diplomáticas e relações comerciais com o Estado de Israel, que aplique sanções imediatas ao Estado de Israel e também que acabe com os acordos vergonhosos que existem entre as Forças Armadas portuguesas e as empresas de armamento israelitas, que estão a conduzir, elas mesmas, por meio das armas que produzem, o genocídio em Gaza", disse Miguel Duarte, que realçou ser esta uma reivindicação para todos os governos ocidentais.
O ativista considerou que há uma mobilização "sem precedentes da sociedade civil pelo mundo todo" em relação a Gaza e que não tem resposta por parte dos governos.
"Aquilo que o genocídio de Gaza mostrou à sociedade civil mundial é precisamente o quão pouco democráticas são as sociedades em que vivemos", considerou.
"Os governos ocidentais não só se mantêm calados, como ativamente contribuem e beneficiam deste genocídio. Portanto, é preciso dizer, com todas as letras, que o Estado português e os Estados europeus são cúmplices deste genocídio", disse Miguel Duarte.
A Global Sumud Flotilha é uma iniciativa de diversas organizações não-governamentais (ONG), entre elas, a Flotilha da Liberdade, a Flotilha Sumud do Magrebe, o comboio Sumud Nusantara e do Movimento Global Para Gaza, bem como de outras organizações internacionais.
Em cada barco da frota que sairá de Barcelona no domingo irão tripulantes com experiência de navegação, assim como jornalistas, médicos, políticos e ativistas.
A par das centenas de pessoas a bordo dos navios, mais de 30 mil em diversos países voluntariaram-se e apoiaram na logística e na divulgação da Global Sumud Flotilla, com "a sociedade civil a atuar num momento em que os líderes estão a falhar no papel básico de defender os Direitos Humanos", referiu a organização.
Israel tem em curso uma ofensiva militar na Faixa de Gaza desde que sofreu um ataque do grupo islamista Hamas em 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.
De acordo com dados divulgados pelas autoridades do enclave palestiniano, a ofensiva lançada por Israel em Gaza já fez mais de 63 mil mortos.
Em 22 de agosto, a ONU declarou oficialmente a fome na cidade de Gaza, depois de os especialistas terem alertado que 500.000 pessoas se encontram numa situação catastrófica.