O mundo chegou hoje aos oito mil milhões de pessoas e a maioria vive em grandes centros urbanos. A tendência é crescente e, em 2050, espera-se que 68% da população viva em cidades. Fomos conhecer três mulheres que vivem em três das cidades mais populosas do mundo: Tóquio, Nova Deli e São Paulo. O tempo é um dos bens mais valiosos nos dias de hoje, mas nestas cidades é também o que mais se perde. Todos os dias.

Tóquio é a cidade mais populosa do mundo, com cerca de 37 milhões de habitantes, logo a seguir vem Nova Deli com 29 milhões e, na quarta posição, São Paulo com 22 milhões de habitantes, atrás de outra grande metrópole asiática: Xangai, na China, com 26 milhões.

“Deixamos de nos ver como seres humanos e empurramo-nos para arranjarmos espaço”

Chizuru Sasaki, 28 anos, nasceu rodeada de mar e montanhas na cidade de Iwate, norte do Japão, e em abril de 2019 foi viver para Tóquio por razões profissionais. A experiência na megacidade terminou há um ano, porque, ao contrário da tendência mundial, Chizuru procurou o que a cidade não lhe dava: paz e sossego. “Eu andava sempre exausta da rotina dos comboios apinhados de gente. Sentia-me triste porque a interação entre as pessoas também não existia. Existem imensas pessoas a viver e trabalhar em Tóquio, mas raramente trocamos uma palavra”, conta.

Chizuru Sasaki
Chizuru Sasaki, Japão

Tóquio tem um dos sistemas ferroviários mais complexos, uma vez que os transportes mais utilizados pelos locais são o metro e o comboio. Apesar de a cidade ser bem servida a nível de transportes e da pontualidade ser uma das características do serviço, o número de pessoas que os usam todos os dias dificulta a experiência. O mundo aumenta, mas mal nos vemos. “Deixamos de nos ver como seres humanos e empurramo-nos para arranjarmos espaço”, lamenta Chizuru.

Com a pandemia e a possibilidade de trabalhar em casa, Chizuru mudou-se para Chigasaki, uma cidade costeira no sul do país. “Em Tóquio eu não conseguia ver o sol e o céu e isso começou a ser pouco saudável. Depois de ter esta experiência de trabalho em casa, num local com uma praia lindíssima, não conseguia voltar ao meu estilo de vida em Tóquio”, conta ao SAPO.

Ainda assim, deixa para trás alguns dos pontos positivos de viver numa grande metrópole: "Bom sistema de transporte que atravessa toda a cidade, desde manhã cedo até à noite. As lojas estão abertas até muito tarde e há muitos eventos".

"Temos mais serviços mas como somos muitos, acaba por haver escassez"

Também em Nova Deli, Khushie Bhardwaj, 22 anos, partilha o mesmo caos diário que Chizuru vivia. “O caminho casa-trabalho é muito difícil, uma vez que é uma cidade metropolitana e todos os transportes públicos estão lotados de gente. Qualquer trajeto que se tente fazer, por mais pequeno que seja, perde-se muito tempo”, diz. Khushie nasceu na capital da Índia e, desde sempre, está habituada ao ritmo da cidade, contudo opta por usar o carro para ir para o trabalho, a 12 quilómetros de casa. “Leva-me aproximadamente vinte minutos de manhã, mas 45 minutos no caminho de volta por causa do trânsito.”, conta.

Khushie Bhardwaj
Khushie Bhardwaj, Índia

O uso do carro é um dos grandes problemas da cidade que tem um dos mais altos índices de poluição do ar. Curiosamente, na altura em Khushie falou com o SAPO, decorria o Festival Dewali, um dos maiores festivais da cultura hindu, onde há fogo de artifício, acendem-se velas e queimam-se pequenos foguetes. “O índice de poluição também aumenta muito”, conta.

Viver numa grande cidade, à partida, confere um maior acesso a empregos e serviços, como transporte, educação, saúde e saneamento. No entanto, o rápido crescimento das populações nas cidades, principalmente em países menos desenvolvidos, parece piorar a qualidade de vida de quem nelas vive. “Temos mais serviços do que as cidades pequenas, em termos de hospitais, escolas, lojas, contudo como somos muitos, acaba por haver escassez desses serviços”, conclui Khushie.

"Todos os dias se levanta um prédio"

Também a habitação é uma questão que se levanta quando se pensa no aumento da população. O crescimento urbano é inevitável. Bárbara Magueta, enfermeira estética, 33 anos, nasceu em São Paulo e reconhece que a construção faz parte da paisagem. “Todos os dias se levanta um prédio”, diz.

Bárbara Magueta
Bárbara Magueta, Brasil

Esta também é uma preocupação destacada este ano no Dia Mundial da Habitação, celebrado a 6 de outubro, pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. “Hoje, mais de mil milhões de pessoas vivem em assentamentos superlotados com alojamento inadequado – e esse número aumenta de dia para dia.” A habitação não formal é também um problema social no Brasil, sendo São Paulo uma das cidades com mais de 500 favelas.

Também São Paulo vive “atolado”. Bárbara faz todos os dias nove quilómetros para o trabalho e, tal como Khushie, também opta pelo carro. “É mais cómodo e seguro”, conta. A segurança em grandes cidades é outro tema que as desigualdades sociais vêm agudizar.

Por outro lado, há também vantagens em viver numa das cidades mais populosas do mundo: "Há diversão e eventos para todos os gostos, muitas opções de restaurantes e parques", refere a paulista.

Chizuru, Rhushie e Bárbara têm em comum a vivência num local onde vivem milhões de pessoas e, provavelmente se se cruzassem numa das suas cidades não se viam. Foi à boleia do SAPO que entraram neste comboio onde somos já oito mil milhões de passageiros. Próxima paragem: 2100, em que contaremos dez mil milhões.

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