Há muito que se fala do potencial de Loures. Da proximidade a Lisboa, da sua diversidade económica, das raízes saloias que o tornam único. Mas o que continua a faltar não é só investimento — é visão.
Loures tem crescido, sim. Mas crescido às cegas. Sem planeamento, sem estratégia, sem articulação entre freguesias. E isso cobra um preço — na habitação, nos transportes, na saúde, na qualidade de vida.
A maioria das decisões tomadas nos últimos anos são remendos. Reações. Tapar buracos em vez de abrir caminho. Mas Loures não pode continuar assim.
O futuro exige mais do que promessas avulsas: exige um plano. Um plano para o território — com reordenamento sério, com regras claras, com menos burocracia para quem quer investir e mais transparência para quem gere. Um plano para a mobilidade — que integre ferrovia, circulação interna e acessos reais à capital. E um plano para as pessoas — que responda à escassez de médicos, à falta de habitação acessível e à ausência de oportunidades para quem quer trabalhar ou empreender.
O concelho precisa de visão de conjunto. De quem pense o todo e não apenas os votos da próxima freguesia.
Quem conhece Loures sabe que este território tem tudo para liderar uma nova geração de políticas locais. Mas só o conseguirá se sair do improviso e entrar no século XXI. É isso que os munícipes esperam: competência, ambição e coragem para dizer que basta de remendos.
Loures merece mais. E os próximos meses vão mostrar quem está disposto a trabalhar nesse sentido — e quem apenas espera que tudo fique na mesma.
Economista e consultor