A descida dramática de Pecco Bagnaia: uma época de erros, tropeços e frustração

Numa revelação surpreendente, Pecco Bagnaia admitiu abertamente que a sua prestação em Balaton Park marcou um dos pontos mais baixos da sua carreira no MotoGP. Os números falam por si: um desastroso 15.º lugar na qualificação, seguido de um modesto 13.º no Sprint e apenas 9.º na corrida. Um fim de semana negro que solidificou o estatuto de Bagnaia como um piloto em crise numa temporada que tinha começado com sonhos de domínio. Com apenas uma vitória, uma pole position e sete pódios em 14 Grandes Prémios, 2025 tem sido um pesadelo para a estrela da Ducati — especialmente quando o seu companheiro de equipa, Marc Márquez, soma pontos a um ritmo avassalador: 455 contra os seus meros 228.

O italiano confessou ter subestimado a GP25 nos testes de inverno, falhando em compreender o seu verdadeiro potencial em comparação com a GP24. Um erro amargo, sobretudo após os sinais promissores deixados na Malásia, onde chegou a afirmar: “Nunca tinha experimentado um motor que nascesse tão bem.” Ainda assim, as dúvidas sobre o sistema de travagem permaneceram — e o otimismo desvaneceu-se rapidamente quando os novos desenvolvimentos foram descartados.

Desde cedo ficou evidente que algo não estava bem. Bagnaia encontrava-se não só atrás de Márquez, mas também do irmão Alex, que pilotava a moto de 2024. O único momento de esperança surgiu em Austin, onde venceu após a queda infeliz do companheiro de equipa. No entanto, pistas como Buriram, Termas e COTA nunca lhe foram favoráveis, servindo de justificação para desempenhos mais fracos.

O ponto de viragem parecia estar no Qatar, mas uma queda logo na qualificação estragou-lhe o fim de semana. O Sprint foi apagado e, apesar de uma recuperação sólida na corrida, ficou claro que ainda estava um passo atrás dos irmãos Márquez. A crise atingiu o auge em Le Mans e Silverstone, onde, apesar de algumas quedas, nunca pareceu verdadeiramente em luta.

O alarme soou mais alto em Mugello e Assen — circuitos que outrora foram fortalezas de Bagnaia — onde não conseguiu corresponder às expectativas. Apesar de se manter competitivo em qualificação, os resultados em corrida foram medianos. Sachsenring foi outro episódio cinzento, com um pódio a servir de único consolo. Nem mesmo a pole em Brno foi suficiente para inverter a maré e, quando chegou ao Red Bull Ring, a crise era gritante: terminou com 12 segundos de atraso para o vencedor — uma diferença inédita numa pista que, teoricamente, deveria favorecê-lo.

Quando parecia que não podia cair mais baixo, Balaton Park trouxe outro golpe. Pela primeira vez, não conseguiu avançar para a Q2, sendo obrigado a enfrentar uma verdade desconfortável: era preciso uma revolução. Desesperado por recuperar a confiança que outrora definiu a sua travagem, encontrou-se numa encruzilhada.

Apesar de ter terminado em 13.º no sábado — a quase 15 segundos de Marc — e 9.º no domingo, as palavras de Bagnaia deixaram entrever uma réstia de esperança: “A experiência resultou.” Aquilo que poderia parecer uma manobra desesperada pode afinal ser o avanço que tanto procurava há meses. Mais do que os resultados, o que importa agora são as sensações e o sentir da moto — e nisso é preciso confiar no instinto do piloto.

Com o mundo das corridas a assistir em suspenso, todas as atenções viram-se agora para Barcelona, onde Bagnaia enfrentará um teste crucial dentro de uma semana. No ano passado, triunfou duas vezes em Montmeló, e esta corrida poderá ser a oportunidade de redenção. Embora os sonhos de título em 2025 estejam praticamente arruinados, o caminho para 2026 mantém-se aberto. Com oito fins de semana ainda por disputar, Bagnaia terá de provar que não só aprendeu com os inúmeros erros, mas que também é capaz de se elevar acima deles.

Resta a grande questão: será que a luz ao fundo do túnel brilhará em Barcelona?