Millennials: O mini-crash visto pela geração que nunca assistiu a um

Os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90 do século passado estão agora a dar os primeiros passos nos pisos de negociação num cenário que está a mudar. Estão preparados?

Os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90 do século passado estão agora a dar os primeiros passos nos pisos de negociação num cenário que está a mudar. Estão preparados?

Com as bolsas mundiais a estenderem as suas perdas desde o fim da semana passado, os analistas e os investidores começam a preparar-se para assistir novamente a um cenário de crash bolsista. Outros, têm de se preparar para algo que nunca viram. Falamos dos millennials.

Os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90 do século passado estão agora a dar os primeiros passos nos pisos de negociação num cenário que está a mudar. Estes viveram, até agora, numa era em que os índices atingiram recordes, os estímulos dos bancos centrais alimentavam os mercados e que até foram criados ativos inovadores.

Mas com estes estímulos a terminarem e as taxas de juro a descolarem do zero, os traders mais antigos estão preocupados com a capacidade de resiliência e a preparação dos mais novos para um possível grande desafio. Numa análise da agência Bloomberg, Paul McNamara, gestor de equipas na GAM, em Londres, afirma a necessidade de preparação dos novos profissionais.

“Os traders têm de estar naquela fase em que estão a olhar para o ecrã pelos seus próprios dedos para valorizarem verdadeiramente o risco-recompensa nesta indústria”, considera McNamara. “Não só ser capaz de ver as coisas a correrem mal, mas correrem ainda mais mal do que alguma vez imaginou ser possível.” É por isto que o gestor tem pensado duas vezes aquando das contratações.

Ainda assim, McNamara parece ser uma exceção. Um estudo citado pela agência, feito por entre os traders da City, aponta para cerca de metade dos questionados tenham nove anos ou menos de experiência.

“Temos noção que os juniores que contratámos e treinámos não têm a experiência de trabalhar em condições normais nos mercados”, justificou Christian Hille, da Deutsche Asset Managment. “Eles próprios estão preocupados com o que acontece a partir de agora. O que acontece quando os estímulos sejam retirados”. Hille afirma assim que tenta pôr as coisas em perspetiva para os membros mais novos, para assim os ir preparando.

Millennials não querem ser subestimados

Ainda que estejam a ser alvos de muitas dúvidas, os traders mais novos não querem ser subestimados. “Sinto-me preparado para uma próxima recessão”, defende-se Victor Massue, um gestor de fundos luxemburguês de 28 anos. “A humilhação é um dos valores mais importantes nas finanças, faz com que não tenhamos um ego inflacionado. Os mercados são arriscados, os novos investidores têm de saber que o objetivo do jogo não é ganhar dinheiro, no princípio é tentar não perder e sobreviver.”

Para além de se sentirem preparados, os traders garantem que nada acontecerá como no passado, sendo que estamos numa nova era. “Encontrem-me alguém que tenha trabalhado na era da inflação a 15% e falarei com ele acerca de bitcoin e internet”, aponta Ben Kumar, gestor da Seven Investment Managment, 29 anos. “Não trabalhei numa era diferente desta, mas quem diz que estamos a voltar à era antiga?”

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