Estas são as duas mil PME Excelência. O que têm de especial?

Todos os anos o IAPMEI atribui o selo de excelência a várias empresas. Este ano são 1.947. Saiba quais são e conheça as histórias de algumas com quem o ECO conversou.

Todos os anos o IAPMEI atribui o selo de excelência a várias empresas. Este ano são 1.947. Saiba quais são e conheça as histórias de algumas com quem o ECO conversou.

Serão perto de 2.000 as empresas que esta terça-feira, em Gondomar, vão receber o galardão PME Excelência 2017. A distinção é atribuída pelo IAPMEI às empresas que se destacaram pelo desempenho socioeconómico. A maioria são de pequena e média dimensão, sedeadas no norte e centro do país, e concentram-se sobretudo nos setores da indústria (31,5%), comércio (25,8%) e turismo (20,1%).

Indústria é o setor com mais PME Excelência

Fonte: IAPMEI

A ASM Energia, uma empresa do universo do grupo A. Silva Matos, é uma das distinguidas. Com um investimento de 33 milhões de euros em carteira, na construção de duas novas unidades de produção e na expansão da atual fábrica de Sever do Vouga, a empresa pretende atingir os 45 milhões de faturação, em 2023.

O maior investimento (25 milhões de euros) começou já este ano, no porto de Aveiro, e é referente à ASM Offshore. A nova empresa, cujo investimento está a ser feito com o apoio do IAPMEI e do Portugal 2020, irá dedicar-se à produção de torres eólicas em mar (offshore) e a fundações. A previsão é de que a nova fábrica esteja a funcionar no final do primeiro trimestre de 2019.

Também em construção, mas já em fase final, está uma unidade de produção em Setúbal. A ASM Marine será também dedicada à construção de torres eólicas offshores, mas mais virada para projetos especiais. O investimento nesta unidade ronda os quatro milhões de euros, foi financiado em 45%, e deverá arrancar já em março. A complementar o leque dos investimentos está a expansão da fábrica atual do grupo, cujo investimento foi superior a 4,5 milhões de euros, sendo que este montante foi financiado em 70%. Nestes investimentos a empresa soma apoios do Sistema de Incentivos do Portugal 2020 de 4,85 milhões de euros.

Filipa Nolasco, diretora financeira do grupo, adianta ao ECO que “o objetivo é, em 2023, faturar 45 milhões de euros”, no conjunto das três empresas e aumentar os “colaboradores para 300”, acrescenta. Sendo que o grupo espera obter “o retorno destes investimentos em cinco anos”.

A ASM Energia, que é hoje distinguida, consolida num subgrupo da A. Silva Matos, denominado ASM Industries e faturou, em 2017, cerca de 13 milhões de euros e emprega 140 pessoas. Já o lucro ronda os 1,5 milhões de euros. Filipa Nolasco reconhece a importância do estatuto de PME Excelência, sobretudo no relacionamento com os stakeholders. “No grupo trabalhamos sempre para a excelência independentemente dos prémios. O estatuto não muda nada do nosso dia-a-dia, mas acredito que facilita a negociação com a banca, em caso de pretendermos recorrer a crédito bancário, sobretudo se estivermos a pensar em trabalhar com outro banco”.

Eugénio Santos, CEO da Colunex, tem opinião semelhante. A empresa de Recarei, concelho de Paredes, reconhece que a abordagem dos stakeholders que não a conhecem é mais fácil e mais imediata. “De modo extremamente rápido existe conhecimento sobre os principais indicadores e rácios da empresa, e isso é bom”, reconhece Eugénio Santos, o responsável por esta produtora de colchões que exporta para todo o mundo.

A Colunex fechou o ano de 2017, com um volume de negócios superior a oito milhões de euros e um crescimento de 15% face ao ano anterior. A empresa emprega 110 pessoas, mas deverá ainda este ano aumentar a mão-de-obra, fruto de um investimento que está a realizar no aumento da capacidade produtiva. Apesar de não gostar de revelar estes dados, Eugénio Santos avança que está “a investir meio milhão de euros com o objetivo de aumentar a capacidade de produção em 30%”. O novo investimento, um armazém com 14 metros de altura, deverá disponibilizar espaço de produção e estará pronto antes do final do ano.

A empresa, cuja origem remonta a 1986, foi fundada por Alexandrino Nunes e pela mulher. Em 2006, os fundadores resolvem vender a empresa e é então que Eugénio Santos, através de um management buyout (MBO) a adquire e passa a CEO. A exportar mais de 50% para os mercados externos, Eugénio Santos recusa, no entanto, deslocar a produção para outras paragens. “Continuamos a fazer tudo para continuarmos a produzir em Portugal e é aqui que queremos acrescentar valor”.

Acrescentar valor é uma das categorias usadas pelo IAPMEI para atribuir o título de PME Excelência às empresas. É o caso da Touch, uma empresa que tem nos super e hipermercados os seus principais clientes. Mas ao contrários das outras empresas contactadas pelo ECO, Miguel Jesus não quer fazer grande publicidade com o prémio. “Não nos interessa alardear, não é bom do ponto de vista político, porque isso leva a supor que temos alguma capacidade e neste meio tão competitivo vão-nos exigir mais nas negociações”, justifica.

Diferente é a perceção que a distinção traz junto dos fornecedores em termos de pagamento de faturas. “Representamos muitas marcas que vêm de empresas falidas. Os fornecedores não só querem qualidade na distribuição, mas também o cumprimento em termos de obrigações”, acrescenta. Com um forte crescimento nos últimos anos — em 2009, quando foi criada, tinha um volume de negócios de dois milhões de euros e agora já ultrapassa os sete milhões, explica Miguel Jesus –, a empresa de comércio por grosso de produtos alimentares e que se concentra em especialidades internacionais espera contratar mais colaboradores (passaram de quatro para 13), mas não tem previstos mais investimentos nesta fase. “Não vamos investir mais, não se coaduna com este negócio”, frisa. Um negócio que tem beneficiado de maior crescimento económico que torna “os consumidores mais abertos a experimentar produtos novos e com mais valor acrescentado”.

Esta empresa de Paredes é apenas uma das 415 PME do distrito do Porto que esta terça-feira recebem a distinção de Excelência. O Porto é mesmo onde se concentra o maior número, seguido do distrito de Lisboa (369) e de Braga (217).

Porto é o distrito que tem mais PME Excelência

No distrito de Lisboa, o ECO falou com a Alenmot, uma empresa metalúrgica que recebe pela primeira vez a distinção de Excelência, apesar de já ter sido PME Líder em 2017. “Ser reconhecida com um certificado como o do IAPMEI, quer pela análise financeira ou pela posição no mercado, é prestigiante para a empresa e para os colaboradores. É um bom cartão-de-visita para para os nossos clientes”, disse fonte oficial da empresa.

Esta PME não tem muita atuação em Portugal, mas tem uma sucursal na Bélgica, outra em França e na Turquia, além de algumas parcerias com clientes europeus que mantêm há algum tempo. “Não tínhamos infraestrutura para ter atividade nacional. Mas agora estamos a construir instalações próprias, o que é fundamental para uma empresa de metalomecânica e manutenção industrial como a nossa, para permitir concorrer a obras com alguma envergadura”, explica a mesma fonte. “Era como uma costureira querer fazer vestidos e não ter espaço para as máquinas de costura”, exemplifica. Mas estas instalações em Alenquer, cuja construção é cofinanciada pelo Portugal 2020, têm sofrido vários reveses em termos de licenças e estudos de impacto ambiental, porque está dependente de vários organismos públicos como a Infraestruturas de Portugal, o Ministério do Ambiente, a Câmara de Alenquer, explicou a mesma fonte. Ainda assim, a empresa tem previsto inaugurar o espaço em julho deste ano.

Esta empresa vai ainda ser galardoada na categoria Gazela, ou seja, uma empresa jovem e com elevados ritmos de crescimento, sustentados ao longo do tempo. Mas haverá outras categorias como exportação, produtividade, criação de valor, emprego, longevidade, turismo e crescimento. Nesta última categoria, o ECO falou com a Cunha Soares, uma empresa de construção de redes de transporte e distribuição de eletricidade e redes de telecomunicações. Com projetos em França, Alemanha, Finlândia e São Tomé, a PME está “em constante pesquisa de novos mercados”. “Uma prospeção que implica um investimento mais em termos de tempo, do que de recursos”, frisa César Gonçalves. Mas para já não há alterações à vista, garante o responsável. Mas se “fruto dos contactos houver uma expansão da atividade, então poderemos contratar mais pessoas”, explicou César Gonçalves.

Segundo o IAPMEI, entre as 1.947 empresas eleitas 517 são de média dimensão, 1.335 pequenas e 95 microempresas. Um reflexo do tecido empresarial nacional.

Mais de metade das empresas Excelentes são pequenas

Fonte: IAPMEI

Critérios de seleção das PME Excelência 2017

Mas, afinal, o que é preciso para se receber a distinção de Excelência? As empresas são selecionadas pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal com base no universo das PME Líder à data de 17 de outubro de 2017 e devem cumprir um conjunto de critérios, com exceção das empresas do turismo. A saber:

  • Autonomia financeira em 2016 >= 37,5% (capitais próprios/ativo)
  • Rendibilidade líquida do capital próprio >=12,5% (Res. Líquido/Cap. Próprio)
  • Divida Financeira Líquida/EBITDA <=2,5
  • EBITDA/Ativo >=10%
  • EBITDA/Volume de negócios >=7,5%
  • Crescimento do Volume de Negócios >=0%
  • Nível de rating, atribuído pelas sociedades de garantia mútua, não superior a 5, na escala de rating de garantia mútua.

E os vencedores são…

Então quais são as empresas que reúnem estes critérios para receber o selo de reputação associado a solidez e desempenho económico-financeiro? Quem são as 1.947 empresas que, em 2016 exportaram 2,13 mil milhões de euros? Que tem um volume de negócios de 7,68 mil milhões, mas também um endividamento de 439,2 milhões de euros?

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