Portugal na mira de novo fundo de investimento para scaleups

Capital de risco global, que acaba de lançar um novo fundo de 375 milhões de dólares, revela ao ECO que espera investir numa scaleup portuguesa, num futuro próximo.

Capital de risco global, que acaba de lançar um novo fundo de 375 milhões de dólares, revela ao ECO que espera investir numa scaleup portuguesa, num futuro próximo.

Davor Hebel diz que se tem encontrado “tremendas oportunidades” em Portugal.

Portugal na mira dos investidores

Segundo a Eight Roads Ventures, nos últimos cinco anos, Portugal registou uma proliferação “impressionante” de novas empresas, que despertou o seu interesse. Ainda assim, os investidores detetam algumas fraquezas, no ecossistema nacional.

“O maior obstáculo, não só em Portugal, mas para a Europa também, é o facto de ser fragmentado e de ter um mercado interior pequeno. As startups europeias têm de ter um quadro mental global desde o início”, defendeu Hebel.

O líder europeu da firma em causa notou também que é a falta de financiamento na fase de crescimento o maior entrave ao florescimento do ecossistema. “E é precisamente aí que a experiência e foco da Eight Roads pode [dar] apoio”, reforçou o mesmo responsável. De acordo com um estudo da Startup Europe Partnership, as rondas de capital inicial e de Série A, em Portugal, são dominadas por investidores nacionais. Nas fases posteriores da vida dessas empresas, essa presença recua significativamente.

Davor Hebel reconheceu, por outro lado, que “o cenário em matéria de capital de risco em Portugal nunca foi tão favorável”, particularmente porque está “cada vez mais maduro”. Neste quadro, o gestor destacou o contributo positivo da “densa” rede de incubadoras e de aceleradoras de que o país dispõe para a criação de empresas promissoras.

Com tantos elogios, porque não investiu ainda a Eight Roads Ventures em Portugal? Hebel esclareceu que a firma tem como foco companhias em fases mais avançadas — em expansão ou scaleup — e sublinhou que Portugal tem um ecossistema relativamente recente, daí a incompatibilidade registada até agora. Ainda assim, o gestor avançou: “esperamos fazer um investimento [em Portugal] num futuro próximo”.

O representante da firma fez ainda questão de considerar que se tem “vindo a detetar oportunidades tremendas em Portugal”. O líder contou que o país viu nascer uma primeira geração de empresas líderes a nível mundial — da qual fazem parte a Farfetch, a Uniplaces e a Feedzai — e que agora se prepara para a chegada de uma segunda geração de talentos. “A segunda geração começa agora a iniciar-se a sua expansão pelo que devemos centrar todas as nossas atenções nesse mercado”, reforçou.

Por fim, Davor Hebel aproveitou para revelar os três segredos do sucesso das scaleups: “Trabalhar muito, um bom aconselhamento e encontrar uma fonte de capital disposta a permanecer ao seu lado mesmo nos períodos mais difíceis“. Trabalho e companhia certa à parte, uma pitada de sorte é também essencial para o estrondo desejado, garantiu o gestor.

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