“O que liga os tumultos de Londres que levaram dezenas de jovens às ruas e projetos de jardinagem urbana?”, começa Bryan Boyer por questionar. “Ambos desejam mostrar que os cidadãos não estão satisfeitos com o que a sua cidade é hoje”, conclui o empreendedor.

Cientes de que existem várias plataformas que promovem a discussão pública entre os cidadãos sobre as políticas governativas de uma cidade, o Brickstarter deseja ir mais longe e envolver as instituições no processo de construção de uma cidade à medida dos seus habitantes.

Ou seja, neste projeto de investigação, que procura perceber como as ferramentas sociais e as aplicações móveis podem ser usadas para ultrapassar a desconexão vivida em muitas cidades, “as instituições governativas têm de ser parte do processo, ou idealmente a origem do processo”, diz Bryan.

“Não basta ter a ideia, é preciso fazer diferente", diz Brian Boyer.

“A câmara de Helsínquia criou um site onde reunia as ideias dos habitantes para a cidade, mas as ferramentas utilizadas eram muito distantes daquelas que nos são naturais, como o facebook, a amazon ou o twitter”, exemplificou o empreendedor, acrescentando que “não basta ter a ideia, é preciso fazer diferente, construir sites que competem num nível superior”, conclui.

Por outro lado, o Brickstarter irá debruçar-se sobre a simplificação de processos que desmotivam o envolvimento social. “Por lei, em Helsínquia, sempre que se quer fazer um novo empreendimento é preciso perguntar à população se esta deseja a nova infraestrutura na cidade. Todavia, a consulta social só é feita quando todo o projeto de design está elaborado e já se gastou muito dinheiro. Isso cria imediatamente um confronto”, exemplifica Brian, defendendo que “é mais produtivo colocar os interesses do cidadão no início do processo".

Em súmula, o Brickstarter apresenta-se como a “ideia de uma plataforma que ligue as instituições governativas e os cidadãos, ajudando a desenvolver projetos diferentes e a simplificar processos”, diz Brian, acrescentando que isso passa por “ajudar os órgãos públicos a compreender que existem toneladas de recursos, interesse, entusiasmo e até dinheiro nas mãos dos cidadãos que não está a ser aproveitado devidamente”.

Ter uma palavra, a bem ou a mal!

“Acho que agora assistimos a um maior envolvimento das pessoas”, assume Brian, salientando que quando este processo é mal orientado pode dar origem a tumultos, como aconteceu no Reino Unido. “As pessoas estão a encontrar formas de agir por si mesmas: seja com violência, seja com projetos para hortas urbanas. Por isso mais vale encontrar uma forma produtiva de envolver os indivíduos, conclui Brian Boyer.

O projeto Brickstarter foi apresentado esta tarde na Conferência Cidadania 2.0, em Lisboa, onde se discute o papel das ferramentas sociais e da internet na promoção da cidadania.

O evento prolonga-se durante dois diase  tem o objetivo de estimular novas formas de comunicação entre o Governo, Administração Pública, ONGs e cidadãos, através de exemplos concretos.

Veja também:

Meu Rio: porque a minha cidade importa

Como pôr uma sociedade a comunicar em rede