Foi um dos carros mais marcantes do panorama automóvel mundial, ofereceu várias versões sempre bem-sucedidas na competição sendo hoje um objeto de coleção e de culto.

Foi em 1985 que a Ford criou aquele que se transformou no mais icónico e veloz carro alguma vez feito pela casa da oval azul, o Sierra RS Cosworth. Um carro que além do seu aspeto soberbo de máquina de competição homologada para andar na estrada, tinha como objetivo ser o melhor carro na competição.

O que fez a Ford? O que sempre fez quando quis ganhar na competição: despejou uma camioneta de dinheiro no colo dos engenheiros para que fizessem o melhor carro de base para ganhar nas pistas. No caso vertente do Sierra RS Cosworth, o pano de fundo foi o regulamento FIA do Agrupamento A (Turismos) dos anos 80. Regulamento esse que para demover as marcas de fazerem verdadeiros protótipos, obrigava à produção de 5 mil unidades do carro de estrada para o homologar como Grupo A.

Os homens do marketing olharam em redor e o tristonho Sierra, que andava a ser desprezado por todos, apresentou-se como a melhor opção de juntar as ideias do marketing às do departamento de competição. E como sempre fez, a casa da oval azul atirou-se à produção de 5 mil Sierra Cosworth.

Claro que o carro é reconhecido à distância pela enorme asa traseira, mas também pode ser reconhecido pelos alargamentos das cavas das rodas e pelo enorme para choques dianteiro. Mas o destaque está debaixo do capô, onde vive o bloco 2.0 litros de duplo veios de excêntricos á cabeça e um enorme turbo, desenvolvido pela Cosworth. Esta colaboração permitiu colocar o nome da empresa de Mike Costin e Keith Duckworth no nome final do carro. Finamente, depois de uma relação que já vinha dos anos 60, com o desenvolvimento do famoso Ford Cosworth DFV 3.5 litros de Fórmula 1.

Conhecido como YB, o motor do Sierra tinha como base o bloco Pinto, uma cabeça de 16 válvulas feita em alumínio, oito com 35 mm e oito com 31 mm. O turbo era um Garrett AiResearch T3 ligado a um intercooler, o que oferecia uma potência de 205 CV ás 6000 rpm e 278 Nm de binário às 4500 rpm. Isto para os carros de estrada, pois na competição este motor ultrapassou os 400 CV.

Acoplado ao motor YB estava uma caixa manual de cinco velocidade das Borg Warner, enquanto que nas rodas traseiras estava um diferencial autoblocante de acoplamento viscoso. Chegava dos 0-100 km/h em 6,2 segundos com uma velocidade máxima de 240 km/h.

A suspensão era mais ou menos a mesma do Sierra, ou seja, McPherson á frente e um eixo semi rígido na traseira. Molas e amortecedores e barras estabilizadoras para além do eixo traseiro, foram todos modificados, ao mesmo tempo que a direção recebia uma caixa mais rápida e curta com 2,6 voltas de topo a topo.

As jantes de 15 polegadas tinham pneus 205/50, cobrindo discos de travão dianteiros ventilados com 283 mm com maxilas de 4 pistões, e discos sólidos de 273 mm e maxila simples no eixo traseiro.

A base do carro era a versão de duas portas, diferente do XR4i, versão americana que chegiu a ser usada na Europa. Mas conheceu, mais tarde, uma variante de 4 portas, recebeu tração integral e uma versão RS500, exclusiva e destinada a fornecer a base para um carro que dominou as pistas de forma insolente.

O carro era vendido com tejadilho de abrir, ou eram brancos ou pretos e há alguns azuis, recebia o nível de equipamento Ghia, com a adição dos bancos Recaro e de um volante de três raios RS. Tinha uma segurança básica e foi um dos carros mais procurados pelos ladrões.

Hoje é um carro muito procurado e os preços estão em alta, até porque não é fácil encontrar um Sierra RS Cosworth original de duas portas, sendo mais comuns os de quatro portas conhecidos como “Sapphire”. Os RS500 são uma classe á parte, muito raros e caros.

Recordo com saudade um carro complicado de conduzir, muito nervoso e com um turbo tao grande que o tempo de resposta era enorme. Mais tarde recebeu uma versão com o turbo mais pequeno. Mas quando bem conduzido, era um carro muito eficaz e oferecia um prazer de condução inolvidável.