É verdade que o ano de 2019 foi duro e os prejuízos registados pesaram, muito, levando até a uma mudança na liderança da empresa. A pandemia de Covid-19 veio adicionar mais problemas a uma fervura que não há maneira de controlar.

A década de 20 começa com o pé esquerdo para a Renault: além de ter de controlar as finanças depois de um ano de prejuízos, a casa francesa terá de lidar com os efeitos do encerramento das fábricas e o recuo na procura superior a 90 por cento, devido à pandemia de Covid-19.

Se no ano passado a Renault perdeu 141 milhões de euros, o seu pior resultado financeiro desde 2009, este ano as coisas não estão melhores e os 3,3 mil milhões de euros ganhos em 2018, estão a desaparecer como gelo ao sol.

Razões para isto e para o desejo da Renault em fechar três fábricas em França, para lá dos despedimentos que vão acontecer um pouco por todo o lado? Em primeiro lugar, a explicação reside na exposição da casa francesa à Nissan. Depois, nos constrangimentos conhecidos do mercado mundial, finalmente, os pornográficos custos da transição energética feita á pressa e á bruta.

Claro que depois há mais razões, como a queda de Carlos Ghosn, que deixou a Renault desnorteada e refém de um modo de gerir muito próprio que levará algum tempo até modificar, depois da chegada de Luca de Meo, ex-Seat, ao leme da Renault. Claro que a pandemia veio aprofundar as dificuldades, assim á imagem do tipo que está no chão KO e ainda leva mais um pontapé quando está quase moribundo.

Tudo isto afunila na necessidade de cortar custos e está já desenhado para ser apresentado brevemente, um plano de corte de custos no valor de 2 mil milhões de euros. Ainda não está tudo conhecido, mas já se conhecem alguns dos danos que vão surgir.

Em primeiro lugar, é quase impossível evitar o fecho de fábricas e três estão na linha da frente: Lorient, Dieppe e Choisy-Le-Roy. São fábricas mais pequenas que Flins ou Sandouville, que albergam produção de modelos que não libertam margens de lucro assinaláveis. O maior problema é o social, pois só naquelas três unidades estão em risco 1032 postos de trabalho.

A Renault promete não criar um problema social, mas todas têm dificuldades em serem flexíveis e Dieppe, por exemplo, só produz o A110 e não pode fabricar o SUV da Alpine que a Renault acredita que pode salvar a marca do seu segundo desaparecimento. As outras duas fábricas produzem peças e não fazem muito sentido numa altura de aperto.

Veremos como será este plano de corte de custos e se algumas das unidades podem ser salvas com a junção de produção de produtos da Nissan – que como o AUTOMAIS já noticiou, vai cortar vários modelos para a Europa, inclusive o Micra – embora a Renault tenha pedido á Nissan para fabricar alguns modelos em Sunderland.

Seja como for, a Renault quer poupar 2 mil milhões de euros, ao passo que já garantiu junto do Estado francês um empréstimo de 5 mil milhões de euros.