Primeiro ensaio: Nissan Qashqai 1.3 DIG-T

Diz-se que chegar ao topo é fácil, difícil é lá ficar e a Nissan sabe disso perfeitamente e apesar do Qashqai continuar a liderar entre os crossover do segmento C, a casa japonesa aproveitou para oferecer um moderno motor a gasolina, deitar fora a caixa CVT por troca com uma unidade automática de dupla embraiagem e renovar o sistema de entretenimento.

Diz-se que chegar ao topo é fácil, difícil é lá ficar e a Nissan sabe disso perfeitamente e apesar do Qashqai continuar a liderar entre os crossover do segmento C, a casa japonesa aproveitou para oferecer um moderno motor a gasolina, deitar fora a caixa CVT por troca com uma unidade automática de dupla embraiagem e renovar o sistema de entretenimento.

Quando em 2012 apareceu o Qashqai, longe, estava de pensar que a Nissan estava a construir uma das maiores histórias de sucesso da indústria automóvel. É verdade que a Nissan não inventou o segmento SUV, mas criou os crossover com um carro que continua a dominar um segmento que cresce 21%, vendeu mais de 1 210 411 unidades nos primeiros oito meses de 2018, das quais 134 527 foram Nissan Qashqai, sendo este segmento C-SUV o terceiro que mais cresce na Europa.

Ora como é que a Nissan conseguiu manter o Qashqai no topo do segmento quando os rivais se multiplicaram centenas de vezes com produtos de grande qualidade, com apenas duas gerações e quatro remodelações, sendo líder de vendas e de reputação? Como é que o Qashqai, em Portugal, consegue vender 4 569 unidades em nove meses, detendo 22,39% de quota no segmento C-SUV, mais que a quota de mercado do Peugeot 3008 e do Toyota CH-R, segundo e terceiro modelos mais vendidos, sendo o quinto modelo mais vendido em Portugal?

Antecipando as tendências e escutando os clientes, modificando o Qashqai consoante as tendências. Esta segunda geração do Qaqshqai vai manter-se à venda até 2020, data em que chegará a terceira geração do modelo, que está a ser preparada com muito cuidado e, sobretudo, com a eletrificação como ponto assente.

Enquanto esse momento não chega, a Nissan introduz este motor 1.3 litros a gasolina feito em parceria entre a Aliança Renault Nissan Mitsubishi e a Mercedes, prometendo melhor performance, menores consumos e emissões e maior agradabilidade na condução. Mas há mais!

A Nissan mandou pela janela a odiada caixa CVT, trocando-a por uma moderna unidade automática de dupla embraiagem, disponível para o modelo mais potente, com 160 CV. Que, por enquanto é o motor mais potente da gama até que na madrugada de 2019 a marca ofereça o novo bloco 1.7 litros turbodiesel com 170 CV. Podem perguntar porque razão a Nissan não desiste dos motores a gasóleo – o mês passado foi lançado o motor 1.5 dCi com 115 CV – mas a resposta é simples: o “mix” de vendas do Qashqai já pende para o lado gasolina, mas numa escala menor do que sucede com a maioria dos rivais e em Portugal, o diesel ainda domina por larga margem. ´

Finalmente, a Nissan atualizou o “Nissan Connect”, sistema de infor entretenimento da casa japonesa que era, até agora, o mais antigo face aos rivais. Uma falha importante que, uma vez mais, não escapou aos homens da Nissan.

O que vale este novo motor?

Ficando claro que este primeiro ensaio é isso mesmo, um primeiro contacto com este motor já usado pela Renault e pela Mercedes no Classe A, a impressão inicial é excelente! Face ao anterior 1.2 litros com 115 CV, o bloco 1.3 DIG-T oferece um “capote” sendo muito mais suave, com impulso logo desde baixas rotações e com um fôlego enorme até chegarmos ao limite de rotação. De cronómetro na mão – vá lá, de smartphone na mão e aplicação a funcionar que cronómetro era noutros tempos – percebe-se a melhoria que é este bloco 1.3 DIG-T mesmo nesta versão de 140 CV: o novo Qashqai escova quase um segundo ao anterior registo do motor 1.2 no exercício dos 0-100 km/h com 10,5 segundos.

Não será preciso medir nada, pois a sensação ao volante deixou-me com a certeza que a aceleração do Qashqai deixou de ser molengona, o carro salta para diante face à pressão do acelerador facilitando o andamento e, sobretudo, as ultrapassagens, algo que os engenheiros da Nissan parecem fazer honra de destacar.

Naturalmente que o motor de 160 CV tem mais “salero” e com a caixa de dupla embraiagem fica excelente. Dizia em conversa com alguns companheiros de profissão que com uma diferença de preço entre o 140 e o 160 CV a situar-se em meros mil euros, a Nissan arriscava-se a não vender o 140 CV em Portugal. Bom, vou rever essa minha previsão, pois este motor 1.3 DIG-t com 140 CV é tão equilibrado e suave que eu pouparia os mil euros. Evidentemente que se gosta de um carro espigadote, a opção acabará por recair no 160 CV. E eu sei que você, caro leitor que não quer um crossover diesel e gosta do Qashqai já estará a pensar “ó Costa, está parvo ou quê? Por mais mil euros venha de lá o 160 CV!” Pode até ser assim, mas olhe que o 140 CV chegas e sobeja, com valores de consumos e emissões excelentes. Quer dizer, os consumos são excelentes se não andarmos a puxar por ele.

É que o Qashqai continua a ser dos melhores no que ao comportamento diz respeito e há muito que os jornalistas portugueses e europeus o encaram como um dos melhores em termos de comportamento e conforto, tendo perdido algum terreno para alguns rivais nos últimos tempos. Provavelmente, será a próxima questão a ser abordada pela Nissan numa próxima evolução ou então já no novo carro a partir de 2020.

Como disse acima, as mudanças no Nissan Connect são importantes e já as expliquei todas n um texto à parte que pode ler aqui. Resumidamente, posso dizer-lhe que está muito melhor, tem muitas aplicações e inovações e a funcionalidade e o aspeto melhoraram muito. Ou seja, o novo Nissan Connect tem mais para oferecer do que anteriormente, mais mesmo que alguns rivais com aplicações criativas e excelentes, mas precisa, ainda, de alguns retoques, para sonhar em conseguir rivalizar com os sistemas da Seat, Skoda ou Ford, para citar alguns dos melhores. Esta alterações em termos de motor, caixa e sistema de info entretenimento, não mudaram absolutamente nada no Qashqai, seja no interior seja no exterior.

Veredicto

Desde há algum tempo que considero o Seat Ateca como o melhor carro do segmento – correndo o risco de ser apupado por si e pelos meus pares – mas este Nissan Qashqai com o novo motor a gasolina, trouxe para bem perto o crossover japonês. Consegue ser eficaz, divertido e com o novo motor, mais económico e com muito mais pulmão, o Nissan ganhou qualidades. Para já e até ao ensaio em estradas portuguesas durante mais tempo, o Qashqai consegue fazer jogo igual com o Ateca. E por menos de 30 mil euros, o Qashqai 1.3 DIG-T é um automóvel sempre apetecível.

FICHA TÉCNICA

Nissan Qashqai 1,3 DIG-T 140/160 CV

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo com, filtro de particulas; Cilindrada (cm3) 1332; Diâmetro x curso (mm) 72,2 x 81,34; Taxa compressão 10,5; Potência máxima (cv/rpm) 140 – 160/5000 – 5500; Binário máximo (Nm/rpm) 240 – 260 – 270/1600 – 2000; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 velocidades ou automática dupla embraiagem de 7 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4394/1806/1590; distância entre eixos 2646; largura de vias (fr/tr) 1565/1560; travões fr/tr. Discos; Peso (kg) 1300 – 1445; Capacidade da bagageira (l) 430/1548; Depósito de combustível (l) 55; Pneus (fr/tr) 215/60 R17 – 215/55 R18 – 225/45 R19; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,5/8,9/9,9 (140, 160, 160 DCT); velocidade máxima (km/h) 193/200; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,6/6,6/5,3 – 6,6/4,6/5,3 – – / -/5,3 (5,8 com jasntes de 18 e 19 polegadas); emissões de CO2 (g/km) 121 – 121 – 122; Preço da versão ensaiada (Euros) a partir de 26.900 euros (1.3 DIG-T 140 CV), 27.900 euros (1.3 DIG-T 160 CV) e 29.400 euros (1.3 DIG-T 160 CV DCT).

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