A União Europeia forçou a redução das emissões de CO2 e prometia fortes multas para quem prevaricasse. Perante a pandemia de Covid-19, os construtores pedem o adiamento.

As emissões de CO2 eram a maior dor de cabeça dos construtores em 2020 e os planos para lançar modelos híbridos e elétricos eram muitos. Recordamos que teriam de respeitar um limite de 95 gr/km de CO2 de média em toda a gama. Quem não cumpra será alvo de multas pesadas, dai a profusão de modelos híbridos e elétricos.

O Coronavírus nasceu e espalhou-se a velocidade astronómica pelo mundo, bloqueando a economia e ajoelhando a indústria automóvel. Os números de março são claros com quebras violentas nas vendas e com abril a prometer uma situação ainda pior.

Não se sabendo quando é que acabam os estados de emergência e o confinamento da população, os construtores já iniciaram as conversas com os Governos onde têm produção, para encontrar formas de destapar o véu deste problema. Claro que em cima da mesa está o regresso dos incentivos ao abate, mas muito mais que isso: os construtores querem ajudas financeiras e, sobretudo, o adiamento das regras de emissões para lá de 2022.

A prioridade da indústria, assim que a pandemia for vencida, é vender os stocks de modelos menos eficientes e os modelos que estão acumulados por diversos motivos, para recomeçar o efeito de recuperação, adiando para 2021 e 2022 novos modelos e, sobretudo, os investimentos na mobilidade elétrica.

Ora, vender carros menos eficientes vai aumentar a média da gama de cada marca e por isso há a necessidade de adiar os limites impostos pela União Europeia sobre emissões de CO2.

Claro que os ambientalistas já vieram rasgar as vestes e clamar por infâmia só de se pensar nisso, mas a União Europeia, entalada entre a espada (vírus) e a parede (economia a auto destruir-se) vai, com certeza, aceitar este pedido. É uma medida simples e que libertaria dinheiro fresco para a maioria das marcas – podendo, assim, suportar um período de “lay off” mais prolongado e concentrar liquidez para um arranque em força quando a pandemia passar – e anularia o ridículo de auxiliar os construtores por um lado e aplicar-lhes multas por outro.

Porém, o adiamento das regras seria de um ou dois anos, não mais que isso, dependendo do ritmo de recuperação da economia e das vendas, algo que não é líquido ser tão rápido, até porque alguns estudos mostram que as pessoas não vão eleger como prioridade a compra de carro depois da pandemia. Portanto, o prazo de adiamento por arrastar-se por mais um ou dois anos.